Política

Sanepar mira expansão e não descarta parceria com Sabesp – 22/10/2026 – Infraestrutura


São Paulo


A expansão da Sanepar para outros mercados depende das oportunidades que surgirem. O CEO da estatal, Wilson Bley, disse nesta quarta-feira (21), em São Paulo, que a Companhia de Saneamento do Paraná tem planos de se tornar uma operadora de alcance nacional. Ele não descarta uma eventual parceria com a Sabesp.

“A nossa participação pode ser menor, mas a gente quer entrar e se posicionar no mercado, trazendo novas receitas e levando uma expertise que foi construída. O que não posso fazer é investimento em outros lugares em detrimento do Paraná. Por isso, [a ideia é ter] sempre consórcios”, afirma Bley.

A Sanepar é uma sociedade de economia mista controlada pelo governo do estado paranaense, que tem 20% das ações. Bley diz que nenhum outro acionista tem mais de 3%. A empresa atende 344 municípios no Paraná e um em Santa Catarina.

Homem de terno escuro assina documento em mesa redonda branca. Ao redor, três pessoas observam, duas delas com crachás. Fundo com painel de madeira e logo da AESBE.

Wilson Bley, CEO da Sanepar, em assinatura de parceria com o grupo espanhol GSInima

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Divulgação

Por trás do plano de expansão, está um memorando de entendimento com a espanhola Acciona, assinado no ano passado, para a participação em concorrências públicas.

A medida faz parte de um pacote de iniciativas para aumentar a receita da empresa, reduzir as perdas e colocar mais consumidores dentro do sistema.

“Por que nós não fazemos uma parceria com a Sabesp? Nós temos também essa possibilidade. O mercado teve um boom e agora entrou numa fase um pouco mais calma”, completa.

Bley esteve em São Paulo nesta quarta para assinar parceria com o grupo espanhol GSInima, selecionado após chamamento público para água de reuso e saneamento industrial. O objetivo final é vender às indústrias água produzida do esgoto tratado, em vez de água potável. O acordo foi firmado na Fenasan (Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente).

A meta declarada pela estatal é antecipar para 2029 a universalização do saneamento, quatro anos antes do prazo definido pelo marco legal do setor. O foco é o esgoto, em que a cobertura está em 84% —a empresa espera chegar a 90% em 2029. O plano de investimentos deste ano até 2030 é de R$ 13 bilhões.

“Para cada 1% extra no tratamento do esgoto, é R$ 1 bilhão a mais”, diz o CEO.

A Sanepar também estuda possíveis ganhos no mercado de carbono, com o uso de emissões de óxido nitroso do esgoto. O tratamento de esgoto responde por 93% das emissões da empresa, segundo o inventário de 2024.

“Eu tenho que olhar esse investimento não pela diminuição dos seus custos, mas pelo custo adequado para que eu possa trabalhar essa questão da sustentabilidade”, afirma Bley, que também lembra que há 110 mil quilômetros de rede subterrânea que a Sanepar pretende explorar com fibra óptica.

No segundo trimestre de 2026, a receita líquida foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 11,5% sobre igual período de 2025. No semestre, somou R$ 3,85 bilhões. A companhia teve prejuízo de R$ 505,2 milhões no trimestre, devido a provisões de cerca de R$ 953 milhões ligadas a uma decisão regulatória sobre o repasse de precatórios aos consumidores.

Sem esse efeito, o lucro teria sido de R$ 447 milhões, segundo a empresa.

Bley afirmou que 75% dos recursos de novos negócios vão para a redução tarifária e 25% ficam com a companhia.

Homem de meia-idade com barba e óculos, vestido com terno azul e camisa clara, sentado à mesa branca em escritório com sofá preto e janela com persianas ao fundo.

Wilson Bley, CEO da Sanepar, a companhia de saneamento do Paraná

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Divulgação

A ampliação de receitas e a redução de custos podem abrir caminho para uma eventual privatização, a depender da vontade do governador eleito, Sergio Moro (PL). O governo estadual já defendeu essa possibilidade no passado, mas Bley não vê necessidade disso:

“Nós trabalhamos de forma mercadológica e não ideológica. Se for necessária a privatização para alcançar esses resultados, quem sabe seja esse o caminho. Mas esse não é o nosso caminho.”

Folha de São Paulo

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