Política

Senador Eduardo Girão, do partido Novo, é anunciado como vice de Zema

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi anunciado nesta terça-feira (4) como vice na chapa de Romeu Zema, que disputa a Presidência da República.

Pré-candidato ao Governo do Ceará, Girão aparecia em terceiro lugar, atrás de Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), nas pesquisas eleitorais no estado.

O anúncio do vice ocorre mais de uma semana após convenção do Novo, que oficializou Zema como candidato ao Planalto.

Diante da dificuldade em crescer nas pesquisas e atrair alianças, o ex-governador de Minas Gerais recorreu ao colega de legenda para a formação de uma chapa pura. O candidato disputa o perfil conservador de direita com Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).

Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 27 apontou que Zema tinha 3% das intenções de voto.

“Após tratativas internas, Zema e o presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, concluíram que Girão é a melhor opção para caminhar em busca de um Brasil melhor”, diz trecho de nota oficial enviada pelo partido.

O cientista político Luiz Felipe d’Ávila (Novo-SP), que concorreu à Presidência em 2022, chegou a ser cogitado para a vaga.

Eleito senador em sua primeira disputa nas urnas com 1,3 milhão de votos em 2018, Girão está no segundo mandato consecutivo. Sua atuação parlamentar tem sido marcada pela defesa do impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e da criminalização do aborto.

Em novembro do ano passado, seu gabinete protocolou pedido de CPI do Banco Master no Senado.

Com 53 anos, o senador atuou como empresário em segurança privada e hotelaria antes de entrar para a carreira política. Foi presidente do Fortaleza Esporte Clube, em 2017, time pelo qual torce desde a infância.

Em nota enviada pelo partido, Girão afirmou ter aceitado como convite como “uma missão existencial”.

Tentativa de acordo e bolsonarismo

Mesmo com melhor colocação nas pesquisas, Flávio também enfrenta obstáculos em obter apoio de partidos aliados e cogita estender o anúncio do vice para a data limite do registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no próximo dia 15.

Ventilado como possível vice de Flávio, Zema declarou em abril que levaria a pré-candidatura até o final. Houve tentativas de acordo para a formação de uma chapa de centro-direita com Caiado, o que foi negado por ambos.

Zema alternou momentos de aproximação e alfinetadas com o bolsonarismo. O candidato enalteceu ter “zero parentes” na política e se disse contrário ao nepotismo em um ataque velado a Flávio e Caiado, que deixou o governo goiano com familiares ocupando cargos-chave.

Durante a convenção do Novo em que ocorreu a formalização de sua campanha à Presidência, porém, Zema poupou críticas ao filho de Bolsonaro mesmo ao abordar o escândalo do Master. Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiamento do filme “Dark Horse”, sobre seu pai.

O escândalo financeiro também tem servido de munição para o ex-governador atacar ministros do STF com supostas ligações com o ex-banqueiro. Uma série de vídeos publicados por Zema contra o ministro do STF Gilmar Mendes culminou em denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sob acusação de calúnia.

Zema reagiu à denúncia e afirmou, em maio, que os “intocáveis” não aceitam críticas.

Momento do convite a Girão foi registrado nas redes sociais de Zema em que ele aparece em uma ligação de vídeo com seu vice. O candidato à Presidência usou seu bordão de campanha e disse ao aliado que a luta será contra os “intocáveis”, como se refere aos adversários políticos.

“Comigo não tem essa de rainha de Inglaterra, de [ser um vice] decorativo, tem que dar expediente mesmo”, disse Zema na ligação.

Em resposta, Girão disse que a dupla será pão de queijo com tapioca, ao exaltar comidas típicas dos seus respectivos estados.

Folha de São Paulo

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