Senador quer saber se grupo de Lulinha teve encontros com autoridades do governo

O senador e ex-presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (PSD-MG), acionou nesta quinta-feira, 20, os ministérios da Saúde, da Comunicação e a Casa Civil pedindo informações sobre encontros de autoridades do governo com a lobista Roberta Luchsinger e gente próxima a ela, como Fernando Bittar, Kalil Bittar e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As solicitações têm como base informações exclusivas sobre o inquérito do escândalo do INSS reveladas por VEJA na edição desta semana.
Os ofícios pedem a “relação de todas as reuniões, audiências, encontros, apresentações comerciais ou outros contatos institucionais realizados com a participação de Fábio Luís Lula da Silva, Roberta Moreira Luchsinger, Fernando Bittar ou Kalil Bittar, indicando data, horário, local, participantes, assunto e responsáveis pelo recebimento” nos três ministérios. Além das reuniões, o parlamentar também pede que as pastas informem sobre propostas comerciais de empresas representadas pelos lobistas.
Reportagem exclusiva de VEJA mostra detalhes do inquérito sigiloso da Polícia Federal que investiga como o quarteto de lobistas montou um esquema que buscava conseguir contratos com órgãos do governo federal. Luchsinger é amiga pessoal de Lulinha e, segundo mensagens obtidas e juntadas no inquérito, pagava as contas pessoais do filho do presidente e teria ajudado sua família a deixar o Brasil — ele mora em Madri.
Trechos do inquérito também evidenciam com mais detalhes a participação de Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, no caso. Ele deixou a assessoria do presidente Lula e a campanha à reeleição depois de ser encontrado um depósito de Roberta Luchsinger para ele, de mais de 200. 000 reais. A PF encontrou provas de que a lobista chegou a pagar as contas pessoais de Marcola, seguros, financiamentos e até algumas joias.
Pedido a André Mendonça
O senador também enviou um ofício ao ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal, pedindo que sejam preservados todos os arquivos digitais das conversas entre membros do quarteto, também reveladas por VEJA.
“Um dos elementos mais relevantes revelados [pela reportagem de VEJA] é a informação de que mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva teriam sido apagadas e posteriormente recuperadas mediante ferramenta tecnológica utilizada pela Polícia Federal. Esse fato torna particularmente necessária a adoção de cautelas destinadas à preservação integral da prova digital”, escreve o senador.
O parlamentar também pede ao ministro do Supremo que sejam apuradas as movimentações dos suspeitos nos órgãos do governo federal, mesmo pedido que encaminhou aos ministérios.
O senador solicita, ainda, que seja informado se houve abertura de empresas ou movimentações financeiras pelo grupo no exterior, também com base no que foi publicado por VEJA. “Outro fato de extrema relevância divulgado em 20 de agosto de 2026 é a afirmação de que relatório atribuído à Polícia Federal teria registrado interesse explícito na abertura de empresas e contas bancárias no exterior, inclusive em jurisdições descritas como de maior dificuldade de rastreamento ou de cooperação internacional”, diz.
Mudança de foro
Mais cedo nesta quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que as três investigações abertas contra Lulinha saiam do Supremo Tribunal Federal (STF) e desçam para a primeira instância por conta da ausência de alvos com foro privilegiado.
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