Sonho de Xuxa Meneghel de ser avó pode transformar a longevidade? Médica explica impactos

Aos 63 anos, Xuxa Meneghel voltou a falar sobre um dos maiores sonhos para esta fase da vida: se tornar avó. A apresentadora já afirmou em outras ocasiões que respeita o tempo da filha, Sasha Meneghel, mas não esconde a expectativa de viver essa experiência. Recentemente, ao refletir sobre envelhecimento e maturidade, ela reforçou o desejo de aumentar a família, mostrando que a longevidade também pode ser marcada por novos planos e vínculos afetivos.
O tema desperta interesse porque especialistas destacam que a chegada dos netos pode representar muito mais do que uma mudança na estrutura familiar. Para muitas pessoas, esse momento fortalece o sentimento de pertencimento, amplia as conexões emocionais e contribui para um envelhecimento mais saudável.
Em entrevista à CARAS Brasil, a médica especialista em longevidade consciente e saúde mental, Roberta França, explicou como esse novo ciclo pode influenciar positivamente a saúde emocional e a qualidade de vida.
Como a chegada dos netos pode beneficiar a saúde emocional?
Segundo Roberta França, o nascimento de um neto costuma marcar uma fase repleta de significado para muitas famílias: “A chegada de um neto costuma ser um marco muito especial na vida de muitos idosos. Aliás, muitas pessoas sonham com esse momento de se tornarem avós. Além da alegria, essa nova fase pode despertar um ciclo de afeto, fortalecer os vínculos familiares e trazer um significado ainda maior para o envelhecimento.”
A especialista ressalta que a ciência já demonstra benefícios importantes dessa convivência entre diferentes gerações.
“Há muitos estudos que mostram que essas relações intergeracionais são extremamente saudáveis. Elas reduzem a sensação de solidão, melhoram o humor e promovem estímulos cognitivos, já que os avós tendem a permanecer mais ativos social, emocional e até fisicamente. Muitas vezes, eles passam a cuidar mais da própria saúde para acompanhar o crescimento dos netos.”
Ela, porém, faz uma observação importante sobre os limites dessa relação: “Mas é importante lembrar que esses benefícios acontecem quando existe uma convivência leve, prazerosa e harmoniosa. O ambiente familiar precisa favorecer essa relação. O papel dos avós é complementar o dos pais, oferecendo carinho, acolhimento e transmitindo valores de forma natural, sem assumir a responsabilidade pela criação ou educação dos netos. Assim, evita-se também uma sobrecarga física e emocional desnecessária.”
Sonho de ser avó pode representar um novo propósito na maturidade?
Para Roberta França, alimentar expectativas e novos projetos faz parte do processo de envelhecimento saudável: “Ter expectativas, novos projetos e novos sonhos faz parte de um envelhecimento saudável. Para muitas pessoas, imaginar a chegada de um neto representa a continuidade da família, a oportunidade de compartilhar experiências e de vivenciar uma forma de amor completamente diferente. Ser avô ou avó é uma experiência distinta da maternidade e da paternidade.”
Ela explica que essa vivência pode refletir diretamente no bem-estar emocional: “Quando essa vivência acontece de forma equilibrada, ela fortalece o sentimento de pertencimento, aumenta a autoestima e pode contribuir, inclusive, para a melhora da saúde física e mental.”
Ainda assim, a médica alerta para que esse desejo não seja o único fator responsável pela felicidade na maturidade: “No entanto, é importante destacar que o propósito de vida não deve depender exclusivamente de se tornar avô ou avó. O envelhecimento precisa ser construído com autonomia, relações afetivas, projetos pessoais e qualidade de vida, independentemente da chegada ou não de um neto.”
Qual é o papel dos avós na dinâmica familiar?
Embora a convivência entre avós e netos seja repleta de benefícios, a especialista destaca que o equilíbrio é essencial para que todos sejam favorecidos.
“Eu acredito que o segredo esteja no equilíbrio. Os avós não devem substituir os pais; isso precisa ficar muito claro. O ideal é caminhar ao lado deles, respeitando as decisões da família e também os próprios limites físicos e emocionais.”
Ela reforça a importância do diálogo entre todos os integrantes da família: “É muito importante que exista diálogo para definir expectativas e responsabilidades, permitindo que a chegada da criança seja vivida como um momento de alegria para todos.”
Na avaliação da médica, quando cada integrante compreende seu papel, toda a família colhe os benefícios dessa convivência: “Quando essa relação é construída com respeito, afeto e sem sobrecarga, toda a família ganha. Os netos convivem com pessoas que transmitem histórias, valores e memórias afetivas, algo extremamente rico. Eu mesma guardo algumas das lembranças mais bonitas da minha infância ao lado dos meus avós.”

“Os pais passam a contar com uma rede de apoio saudável, enquanto os avós vivenciam uma fase marcada por conexão, propósito e alegria. Eu acredito que a longevidade consciente passa justamente por isso: cultivar vínculos que façam bem, preservando a autonomia e a qualidade de vida de cada um”, diz a médica.
Ela conclui: “Quando as expectativas estão bem alinhadas e os papéis são respeitados, essa convivência tende a ser marcada por alegria, fortalecimento dos vínculos familiares e pela satisfação de acompanhar a continuidade da própria história e da própria família.”
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