Tecnologia

Sua empresa sabe quantos agentes de IA estão trabalhando de forma governada, orquestrada e segura?

Até 2028, uma empresa média da Fortune 500 poderá ter mais de 150 mil agentes de Inteligência Artificial operando em sua infraestrutura. Em 2025, eram menos de 15. A projeção do Gartner mostra a velocidade de uma transformação que, na minha visão, exige uma mudança urgente na forma como as empresas discutem IA.

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Há outro dado que considero ainda mais preocupante. Apenas 13% das organizações afirmam ter hoje uma estrutura adequada de governança para agentes de IA. Ou seja, enquanto avançamos rapidamente na criação de uma nova força de trabalho digital, ainda estamos aprendendo a administrá-la.

É nesse cenário que ganha relevância o chamado AI Agent Sprawl, a proliferação descontrolada de agentes de Inteligência Artificial dentro das organizações.

Nos últimos anos, acompanhei uma mudança significativa nas conversas sobre tecnologia e automação. Primeiro, a pergunta era quais processos poderiam ser automatizados. Depois, passou a ser onde aplicar inteligência artificial. Agora, acredito que precisamos acrescentar outra questão: quem está controlando tudo aquilo que colocamos para funcionar?

Governar agentes é um desafio

Vejo os agentes como uma das evoluções mais importantes da automação empresarial. Eles podem consultar bancos de dados, acessar sistemas, utilizar APIs, movimentar informações, iniciar processos e interagir com outros agentes. É justamente essa autonomia que cria enormes possibilidades de eficiência. Mas ela também traz um risco que não podemos ignorar.

Imagine que uma área crie um agente para resolver uma necessidade específica. Para executar sua função, ele recebe credenciais e permissões para acessar determinados sistemas e dados. Meses depois, o projeto termina, o responsável muda de função ou aquela necessidade simplesmente deixa de existir. Mas ninguém desliga o agente e ele permanece ativo e suas permissões também.

Esse é um cenário que me preocupa porque, à medida que criar agentes se tornar mais simples, também será mais fácil perder a visibilidade sobre eles. Precisaremos desenvolver para agentes de IA uma disciplina semelhante à que já aplicamos às pessoas. Quando um profissional entra em uma organização, recebe determinados acessos. Ao mudar de função, suas permissões são revistas e quando deixa a empresa, esses acessos precisam ser encerrados.

Todo agente deveria ter um responsável, uma finalidade clara, permissões compatíveis com sua função e um ciclo de vida definido. Precisamos saber quais informações ele acessa, quais ações pode executar e, principalmente, em que momento deverá ser desativado.


Com poucos agentes, isso parece simples. Com milhares deles, torna-se uma questão estratégica.

Por isso, uma pergunta que eu faria hoje a qualquer empresa que esteja avançando no uso de agentes: se um deles tomar uma decisão errada amanhã, será possível reconstruir tudo o que aconteceu?

Se não conseguimos responder, perdemos uma parte importante do controle sobre nossa própria operação.

Isso não significa transformar governança em bloqueio. Não acredito em impedir a inovação como estratégia de segurança. Quanto mais burocrático for o ambiente oficial, maior será a possibilidade de surgirem soluções fora da visibilidade da empresa, ampliando também a shadow AI.

Governar significa justamente criar condições para inovar com segurança e existe um princípio que considero fundamental, que a autonomia precisa ser proporcional ao risco. Um agente que organiza documentos internos não pode ser tratado da mesma maneira que outro capaz de interferir em pagamentos, contratos, dados pessoais ou decisões relacionadas a clientes.

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O risco dos agentes que ninguém lembra que existem

Durante anos, comemoramos nossa capacidade de colocar novas tecnologias para funcionar. Com os agentes de IA, acredito que maturidade também significará saber quando desligá-los.

Por isso, não vejo as empresas mais avançadas como aquelas que terão o maior número de agentes. Serão aquelas capazes de escalar essa tecnologia sem perder o controle sobre o que criaram.

Afinal, acredito que saber criar agentes será uma competência tecnológica, mas governá-los será uma competência de negócio.

Tiago Amor

Tiago Amor

Tiago Amor é CEO da Lecom, plataforma pioneira em hiperautomação de processos. Especialista em Gestão de Projetos (FGV) e formado em Sistemas da Informação (UNESP).


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