Tarcísio Meira faria 91 anos: uma reprovação mudou o destino do ator

Tarcísio Meira faria 91 anos nesta segunda, 5 de outubro. Nascido em São Paulo, em 1935, o ator construiu uma trajetória de destaque no teatro, no cinema e na televisão brasileira, acumulando personagens que atravessaram diferentes gerações. Segundo a Memória Globo, foram mais de 60 trabalhos na televisão, além de 22 longas-metragens e 31 peças de teatro.
Ao longo de décadas de carreira, Tarcísio Meira se tornou um dos nomes mais reconhecidos da dramaturgia brasileira. O ator também ficou marcado por personagens como João Coragem, de ‘Irmãos Coragem’, Renato Villar, de ‘Roda de Fogo’, e Giuseppe Berdinazzi, de ‘O Rei do Gado’. Mas você sabia que, antes de seguir pela atuação, ele tinha outro projeto para a própria vida? Saiba mais sobre a história pouco conhecida que mudou o destino de Tarcísio Meira.
Tarcísio Meira tinha outro plano antes da fama
Nascido em 5 de outubro de 1935, Tarcísio Meira foi batizado como Tarcísio Magalhães Sobrinho. Para construir o nome artístico que se tornaria conhecido em todo o Brasil, ele adotou o sobrenome Meira, pertencente à família materna. De acordo com a Memória Globo, a escolha também tinha relação com uma superstição da época, já que o nome completo ficaria com 13 letras.
Antes de descobrir sua vocação para a dramaturgia, porém, Tarcísio tinha outro objetivo profissional. O ator estudava com a intenção de seguir a carreira diplomática e chegou a prestar, em 1957, a primeira prova para o Instituto Rio Branco, ligado ao Itamaraty. Ele acabou sendo reprovado e, posteriormente, decidiu investir na carreira artística.
A informação também foi confirmada pelo próprio Tarcísio Meira em uma entrevista concedida a Clarice Lispector para a revista Manchete. Quando a escritora perguntou a que ele se destinava antes de se tornar ator, ele respondeu: “Eu estudava e pretendia fazer o curso de preparação à carreira de diplomata, no Instituto Rio Branco, do Itamaraty”.
A reprovação que mudou o destino de Tarcísio Meira
A reprovação na prova de 1957 acabou fazendo parte de uma mudança importante na trajetória de Tarcísio Meira. Segundo a Memória Globo, depois de desistir do projeto de seguir a carreira diplomática, ele passou a se dedicar à atuação e participou de peças como ‘Chá e Simpatia’ e ‘Quando as Paredes Falam’.
Em entrevista a Clarice Lispector, o ator explicou que sua entrada na profissão foi, inicialmente, circunstancial. Questionado se havia nascido para ser ator ou se as circunstâncias o haviam levado até a carreira, Tarcísio respondeu: “Foi totalmente circunstancial o fato de me tornar ator. Nunca pensara nessa possibilidade, até que surgiu a chance de representar num grupo amador”.
A partir daquele momento, entretanto, a atuação ganhou espaço definitivo em sua vida. Em 1959, Tarcísio estreou profissionalmente no teatro em ‘O Soldado Tanaka’, a convite de Sérgio Cardoso, uma experiência que ele próprio considerou uma grande responsabilidade por dividir o palco com um dos principais nomes do teatro brasileiro.
Da primeira experiência no teatro à televisão
A carreira de Tarcísio Meira avançou rapidamente. Ainda no fim dos anos 1950, ele chegou à televisão e, em 1961, participou de ‘Uma Pires Camargo’, no Grande Teatro Tupi, ocasião em que contracenou pela primeira vez com Glória Menezes. Os dois se casariam no ano seguinte.
Em 1963, o casal passou pela TV Excelsior e participou de ‘2-5499 Ocupado’, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira. No mesmo ano, Tarcísio também estreou no cinema, em ‘Casinha Pequenina’, ao lado de Mazzaropi.
A estreia de Tarcísio Meira na Globo aconteceu em 1967, com ‘Sangue e Areia’. A partir daí, o ator passou a protagonizar diversas produções da emissora e consolidou uma longa parceria profissional com autores, diretores e atores importantes da dramaturgia brasileira. A Memória Globo registra mais de 60 programas em sua trajetória na emissora, entre novelas, minisséries e especiais.

Uma carreira marcada por grandes personagens
Tarcísio Meira interpretou personagens de diferentes perfis durante sua trajetória. Em ‘Irmãos Coragem’, de 1970, viveu João Coragem, um dos papéis mais lembrados de sua carreira. Também interpretou Antônio Dias em ‘Escalada’, Renato Villar em ‘Roda de Fogo’, Giuseppe Berdinazzi em ‘O Rei do Gado’ e Bóris em ‘O Beijo do Vampiro’.
O ator também se destacou em produções de época e adaptações literárias. Em ‘O Tempo e o Vento’, interpretou Capitão Rodrigo Cambará, enquanto em ‘Grande Sertão: Veredas’ viveu Hermógenes. Na minissérie ‘Desejo’, deu vida ao escritor Euclides da Cunha. Já em ‘A Muralha’, interpretou Dom Jerônimo, papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator da Associação Paulista de Críticos de Arte.
No cinema, trabalhou com diretores como Glauber Rocha e Bruno Barreto. Entre seus filmes estão ‘A Idade da Terra’ e ‘O Beijo no Asfalto’. Ao todo, a Memória Globo registra 22 longas-metragens em sua trajetória.
Tarcísio Meira e a paixão pela profissão
Mesmo tendo iniciado a carreira artística quase por acaso, Tarcísio Meira construiu uma relação profunda com a profissão. Em depoimento ao Memória Globo, o ator resumiu sua visão sobre a atuação ao falar sobre o significado de interpretar personagens.
“O trabalho do ator é bonito e útil. Diz respeito à sensibilidade. Eu procuro desempenhá-lo da melhor maneira possível, com a máxima eficácia. Tento convencer as pessoas das verdades daquele personagem. Essa carreira me gratifica muito”, afirmou.
Em outra declaração registrada na entrevista com Clarice Lispector, Tarcísio também mostrou que não enxergava a carreira diplomática como uma frustração. Quando questionado se sentia falta de não ter seguido aquele caminho, respondeu de maneira direta: “Não. De modo algum”.
A resposta ajuda a entender como aquela reprovação, que poderia ter sido apenas um episódio frustrante da juventude, acabou conduzindo o ator para uma carreira que durou décadas.

O legado de Tarcísio Meira na televisão
Os últimos trabalhos de Tarcísio Meira na televisão foram ‘A Lei do Amor’, em 2016, e ‘Orgulho e Paixão’, em 2018, seu último trabalho televisivo. Na Globo, o ator permaneceu associado a personagens que marcaram diferentes períodos da teledramaturgia brasileira.
Além da televisão, Tarcísio deixou uma trajetória expressiva no teatro e no cinema. A Funarte registra que seu último trabalho televisivo foi ‘Orgulho e Paixão’ e destaca também sua participação em dezenas de produções cinematográficas e teatrais.
Tarcísio Meira morreu em 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, em São Paulo, após complicações decorrentes da Covid-19. Se estivesse vivo, completaria 91 anos em 5 de outubro de 2026.
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