Taxas dos DIs sobem com disputa eleitoral no Brasil e aversão global ao risco

SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em alta, com a curva no Brasil novamente reagindo à disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto, em uma sessão também marcada pela aversão global a ativos de maior risco.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,88%, em alta de 11 pontos-base ante o ajuste de 12,775% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,76%, com elevação de 2 pontos-base ante 12,743%.
À espera da nova pesquisa do Datafolha, programada para o início da noite, os investidores demonstraram cautela ao longo do dia.

Nas pesquisas eleitorais mais recentes, Flávio seguiu à frente de Lula nas intenções de voto, mas a diferença entre os dois parece ter diminuído. Na quarta-feira, a Quaest indicou uma diferença de 1 ponto percentual nas intenções de voto, com os dois empatados tecnicamente. Além disso, a rejeição de Flávio é 5 pontos percentuais maior que a de Lula.
A leitura de boa parte dos agentes ainda é de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Neste cenário, após marcar a mínima de 12,850% (+7 pontos-base) às 9h09, pouco depois da abertura, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 12,955% (+18 pontos-base) às 14h43, em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros.
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No exterior, a sessão também era de aversão ao risco, com os principais índices de ações globais em queda, o petróleo Brent acima dos US$110 o barril e o dólar em alta ante boa parte das demais divisas. Com os investidores em busca de segurança, a demanda pelos Treasuries aumentou e os rendimentos dos títulos norte-americanos despencaram.
Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 19 pontos-base, a 4,955%.
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