Técnico da Bélgica, Garcia tem futuro incerto após substituir Courtois na Copa

O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, passou a ser alvo de uma onda de críticas após substituir o goleiro titular Thibaut Courtois na derrota por 2 a 1 para a Espanha, nas quartas de final da Copa do Mundo, na sexta-feira (11), aumentando as dúvidas sobre seu futuro no comando da seleção.
Courtois acreditava que poderia continuar em campo apesar de sentir um incômodo na perna, mas Garcia decidiu pela substituição por considerar que o goleiro não estava em plenas condições físicas.
Senne Lammens entrou aos 26 minutos do segundo tempo e falhou ao defender um chute rasteiro de Pau Cubarsí. A bola sobrou para Mikel Merino, que aproveitou o rebote aos 41 minutos para marcar o gol da vitória da Espanha.
A decisão de Garcia provocou forte reação na imprensa belga. Um dos críticos foi o comentarista Peter Vandenbempt.
“Você substitui o melhor goleiro do mundo em uma quartas de final de Copa do Mundo porque ele não consegue mais dar chutões… É inacreditável. Simplesmente não consigo entender”, afirmou a uma rádio belga.
“A única explicação é que Garcia se apega a princípios rígidos. Não está 100%? Então sai. Mas certamente alguém como Courtois sabe do que é ou não capaz.”
Garcia, por sua vez, explicou sua filosofia. “Desde o início da Copa do Mundo, deixei claro que apenas jogadores 100% fisicamente aptos podem atuar. Isso também vale para Thibaut. Precisávamos dos lançamentos longos dele, primeiro para Charles [De Ketelaere] e depois para Romelu [Lukaku]. Não queríamos que a lesão piorasse. Por isso, não me arrependo da decisão de substituí-lo.”
A escolha do treinador deve estar entre os principais temas da avaliação de seu contrato, que será feita antes do fim deste mês, quando termina seu vínculo com a federação.
O francês de 62 anos, campeão francês com o Lille em 2011, assumiu a Bélgica no início de 2025 com a missão de revitalizar a seleção após a passagem de Domenico Tedesco, descrita como tóxica e sem identidade.
Objetivos cumpridos
A permanência da Bélgica na primeira divisão da Liga das Nações foi a primeira missão de Garcia, seguida pela classificação para a Copa do Mundo. O objetivo de chegar às quartas de final também foi alcançado.
Em 20 partidas no comando da seleção, Garcia soma 12 vitórias, seis empates e duas derrotas.
Ainda assim, os dirigentes da federação belga terão de decidir se ele é o nome certo para seguir à frente da equipe na preparação para a Eurocopa de 2028.
Ao longo do trabalho, surgiram questionamentos sobre sua estratégia, substituições e estilo de gestão, e a derrota apertada para a Espanha não ajudou sua situação.
A Bélgica teve uma campanha irregular na Copa. A equipe precisou superar dificuldades para avançar às oitavas de final, empatando com Egito e Irã antes de vencer a Nova Zelândia e terminar na liderança do grupo.
Nas oitavas, escapou por pouco da eliminação diante de Senegal. Garcia retirou alguns de seus principais jogadores quando o time perdia por 2 a 0, e permanece a dúvida se as substituições do treinador ou as falhas defensivas dos senegaleses foram determinantes para a reação belga.
Por outro lado, o treinador também pode destacar momentos positivos, como a goleada por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial, além da promoção de jogadores como Nathan Ngoy e Nicolas Raskin, que tiveram atuações de destaque.
Esporte / Folha de São Paulo



