Tênis deveria abraçar influenciadores das redes sociais, diz Roger Federer

Roger Federer afirmou que o tênis deveria abraçar TikTokers, YouTubers e Instagrammers se quiser alcançar públicos novos e mais jovens, após jogadores reclamarem de interferências durante as partidas no US Open.
Em entrevista ao FT às vésperas da Laver Cup, em Londres, Federer disse que os influenciadores digitais se tornaram parte vital do ecossistema do esporte e da mídia e que rejeitá-los colocaria em risco o futuro do tênis no longo prazo.
“Eles vieram para ficar”, argumentou o vencedor de 20 títulos de Grand Slam. “Na verdade, eles tornam o tênis muito mais atraente e fácil de consumir.”
Grandes eventos esportivos, incluindo os quatro torneios de Grand Slam do tênis, têm recorrido a influenciadores para despertar o interesse do público mais jovem. Mas a presença cada vez maior deles tornou-se fonte de tensão, sobretudo no tênis, esporte em que a etiqueta é fundamental.
No US Open, no início deste mês, vários jogadores reclamaram das interferências causadas por criadores de conteúdo que usavam luzes durante as filmagens ou faziam barulho ao gravar coreografias enquanto as partidas estavam em andamento.
Federer disse que “não é aceitável” que alguém faça barulho durante o jogo e acrescentou que os episódios recentes no US Open “provavelmente foram longe demais”.
E acrescentou: “A beleza do tênis, na minha opinião, está no silêncio e, então, de repente, em uma explosão de aplausos. Precisamos preservar isso”.
No entanto, os organizadores das competições também precisam acompanhar os novos tempos, argumentou Federer. Segundo ele, haverá uma pressão cada vez maior para que permitam aos criadores de conteúdo usar trechos das partidas, em vez de “reter” o material para proteger os direitos de transmissão ao vivo.
“No começo, é desconfortável haver alguma mudança. Ninguém gosta de mudanças e, no tênis, somos mestres em dizer: ‘Vamos simplesmente manter tudo como está pelos próximos mil anos’. Mas estamos melhorando.”
Em diversos esportes, os organizadores de competições vêm tentando lidar com as mudanças nos hábitos dos consumidores, já que os jovens têm menor propensão a assistir a eventos ao vivo. Além de trabalhar com influenciadores —o US Open credenciou cerca de 100 deles—, os organizadores de torneios de tênis produziram videogames na tentativa de conquistar os fãs do futuro.
A Laver Cup, cofundada por Federer em 2017 com seu agente de longa data e sócio Tony Godsick, apostou na economia dos influenciadores enquanto busca ampliar sua base de fãs e seu alcance comercial, chegando a realizar na quinta-feira um dia dedicado a criadores de conteúdo na arena O2, em Londres.
O evento por equipes, com três dias de duração e inspirado na Ryder Cup de golfe, coloca um time formado por seis dos principais tenistas da Europa contra seus equivalentes do restante do mundo. A escalação deste ano inclui Carlos Alcaraz, Alexander Zverev e Taylor Fritz.
A competição vem se beneficiando da expansão dos patrocínios esportivos e dos serviços de hospitalidade premium. A Laver Cup do ano passado registrou receita de cerca de £ 35 milhões, ante £ 23,2 milhões em 2024. O evento gerou lucro de aproximadamente £ 3,2 milhões no ano passado, quando foi realizado em São Francisco. Godsick disse que os acionistas investiam constantemente no negócio e não estavam preocupados com a rentabilidade de curto prazo.
O tênis recebeu uma injeção de recursos nos últimos anos, provenientes de fundos soberanos, gestoras de private equity e indivíduos ricos. Em 2023, a Women’s Tennis Association vendeu uma participação de 20% em seu braço comercial à CVC Capital Partners por US$ 150 milhões, enquanto um consórcio liderado pelo poderoso agente de Hollywood Ari Emanuel gastou mais de US$ 1 bilhão para comprar, no ano passado, os torneios de Madri e Miami.
Godsick afirmou que os proprietários da Laver Cup, entre os quais estão as federações de tênis dos Estados Unidos e da Austrália, rejeitaram várias propostas de investimento de terceiros porque não havia necessidade de capital adicional. Mas deixou aberta a possibilidade de uma futura venda de participação.
“Se surgisse um parceiro estratégico e nos explicasse como poderia nos ajudar, com sua experiência e sua plataforma, a chegar ao próximo nível, provavelmente analisaríamos a proposta”, disse.
Esporte / Folha de São Paulo



