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Títulos dos EUA sobem com temor sobre dívida de IA – 15/10/2026 – IA

Financial Times
Os títulos públicos de diferentes países se valorizaram nesta quinta-feira (15), à medida que temores sobre a sustentabilidade do boom da inteligência artificial levaram investidores a buscar segurança na dívida soberana, especialmente nos Estados Unidos.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos caíram até 0,15 ponto percentual, para 5,04%, o menor nível em três semanas. Mais tarde, voltaram a subir e estavam em 5,10%. Gestores de fundos atribuíram o movimento à venda de ações de fabricantes de chips e à preocupação com o endividamento que sustenta a expansão dos centros de dados.

A valorização dos títulos ocorreu apesar de dados de inflação dos Estados Unidos acima do esperado, divulgados na quarta-feira (14), que normalmente pressionariam os preços dos papéis para baixo e seus rendimentos para cima.

Pessoa de perfil, com foco desfocado, observa múltiplos gráficos financeiros exibidos em tela de computador. Os gráficos mostram variações de preços e indicadores de ações em diferentes períodos.

Operador da Bolsa observa variação de ações e títulos públicos na Bolsa de Nova York

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Michael M. Santiago/Getty Images via AFP

“Tivemos números de inflação significativamente acima das expectativas, mas o movimento de aversão ao risco se sobrepôs a tudo isso”, disse Ales Koutny, chefe de juros internacionais da Vanguard.

Analistas disseram que as quedas nos rendimentos dos títulos foram intensificadas pelo forte posicionamento negativo acumulado contra a dívida pública durante a liquidação global no mercado de títulos desde o início da guerra no Irã, no fim de fevereiro.

Os rendimentos dos títulos alemães de dez anos, outro porto seguro nos mercados globais de dívida, também caíram com o aumento das compras pelos investidores, recuando 0,06 ponto percentual no fim da tarde, para 3,41%.

“Bastaram alguns movimentos violentos em certos ativos de risco, e a consequente procura por portos seguros provocou oscilações desproporcionais, à medida que as pessoas zeravam suas posições vendidas”, disse Mike Riddell, gestor de fundos da Fidelity International.

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Os investidores estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de que a venda de títulos que financiam centros de dados seja um sinal de alerta para a corrida por infraestrutura que impulsionou o crescimento econômico dos EUA e a alta de Wall Street neste ano.

O Nasdaq 100 caía 0,5% no fim da manhã em Nova York, após o recuo de 2% registrado na quarta-feira pelo índice de forte peso tecnológico, pressionado pelas quedas nas ações de empresas de semicondutores.

As ações da Western Digital e da Sandisk —fabricantes de chips de memória que estiveram entre as maiores beneficiárias da alta das empresas de chips em Wall Street neste ano— caíam 5% e 3%, respectivamente. A gigante do setor Nvidia recuava 2,1%, enquanto a Intel perdia 4,5%.

Aumentando o nervosismo, o laboratório de IA Anthropic informou aos investidores que sua receita no terceiro trimestre havia subido quase 50%, para US$ 16,8 bilhões, segundo reportagem do Financial Times publicada na quarta-feira —um ritmo mais lento que o registrado no início do ano e abaixo das expectativas de alguns investidores.

“Os investidores estão apreensivos diante de qualquer notícia negativa que possa desencadear uma liquidação”, porque “o mercado está muito, muito concentrado em ações de tecnologia“, disse Marija Veitmane, chefe de estratégia de ações da State Street.

Veitmane afirmou que, desta vez, “as preocupações com o crédito foram o estopim”. “No minuto em que surge alguma notícia negativa, a reação é: ‘vamos vender tudo’”, disse ela.

Os movimentos nos EUA ocorreram depois de as fabricantes sul-coreanas de chips SK Hynix e Samsung Electronics sofrerem outra forte liquidação, com quedas de 11,1% e 9,5%, respectivamente.

No Japão, o Topix recuou 2,4%, enquanto o SoftBank, investidor da OpenAI, despencou 9,3%, e a Kioxia, fabricante de semicondutores e chips de memória, perdeu 12,3%.

Na Europa, o pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia da região ficou sob pressão, com um índice do setor recuando 1,4%. A fabricante holandesa de equipamentos para chips ASML, maior empresa da Europa, caía mais de 4%.

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Analistas alertam para a possibilidade de que segmentos do ecossistema de inteligência artificial enfrentem dificuldades financeiras, com efeitos que podem se estender para além do setor de tecnologia.

Um dos focos de preocupação é a CoreWeave, empresa que aluga capacidade computacional a grandes grupos de tecnologia. O spread dos swaps de risco de crédito (CDS) de cinco anos da companhia superou 11 pontos percentuais nesta semana. O indicador mede o custo de proteção contra um possível calote: nesse nível, o investidor paga mais de US$ 11 por ano para proteger US$ 100 em dívida, consideradas as condições do contrato.

A alta do indicador reflete dúvidas sobre a capacidade da empresa de financiar a expansão de sua infraestrutura. Suas ações caíram 2% nesta quinta-feira, ampliando as perdas acumuladas na semana para quase 20%.

Hank Calenti, estrategista de mercados globais do SMBC, afirmou que a onda de vendas foi impulsionada pelas preocupações com a CoreWeave e com a demanda pelo aluguel de acesso a chips.

“Esta é uma liquidação motivada pelo modelo de negócios”, disse Calenti. “Há temor sobre onde está a fragilidade no ecossistema.”

Folha de São Paulo

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