Uefa deve retirar ameaça de boicote a torneios da Fifa

A Uefa deve retirar sua ameaça de boicotar torneios da Fifa, já que foram atendidas as duas condições que a entidade europeia exigia do órgão máximo do futebol mundial após a tentativa fracassada do presidente Gianni Infantino de vender participações na Copa do Mundo, disse uma fonte à AFP nesta quarta-feira (26).
Infantino, de 56 anos, vem sofrendo pressão cada vez maior para deixar a presidência por causa de seu plano —já abandonado— de obter investimentos privados para torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.
A Uefa, liderada por seu presidente, Aleksander Ceferin, havia criticado duramente a proposta, classificando-a como um “acordo obscuro e pouco transparente, fechado nos bastidores”.
Embora Infantino tenha retirado o plano poucos dias após seu lançamento, a Uefa havia afirmado que ainda não estava satisfeita e que a ameaça de boicotar eventos da Fifa continuava de pé.
A entidade disse que sua exigência de que o plano fosse arquivado havia sido atendida, mas que não havia recebido garantias de “que novas tentativas de desfigurar o futebol dessa maneira jamais serão feitas”.
No entanto, com as associações nacionais da Uefa reunindo-se em Mônaco nesta quinta-feira, antes dos sorteios da Champions League e de outras competições de clubes, tudo indica que a entidade máxima do futebol europeu considera que a segunda condição foi resolvida de maneira satisfatória.
“Sim, é provável”, disse a fonte à AFP nesta quarta-feira, sobre a possibilidade de retirada da ameaça de boicote.
“Acredito que recebemos as garantias que buscávamos, o que atende ao segundo dos dois critérios que estabelecemos.”
Uma segunda fonte disse à AFP que a ameaça de boicote —considerada decisiva para forçar o humilhante recuo de Infantino— precisava ser tratada com urgência, já que a Copa do Mundo feminina sub-20 será realizada na Polônia de 5 a 27 de setembro.
Isso é particularmente importante devido ao risco de enfraquecer a frente unida da Uefa em sua defesa da saída de Infantino.
Infantino tentará conquistar um quarto e último mandato quando a Fifa realizar sua eleição presidencial em março do próximo ano, na capital marroquina, Rabat.
Anteriormente, ele provavelmente concorreria sem oposição, mas, desde o escândalo do financiamento privado, uma série de associações filiadas retirou seu apoio.
A Itália foi a mais recente a fazê-lo, nesta quarta-feira.
O prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro.
Ceferin confirmou que não será candidato, enquanto o presidente da Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe), Victor Montagliani, é considerado o adversário mais provável.
“Faltam 10 dias para o início da Copa do Mundo feminina sub-20”, afirmou a segunda fonte.
“É complicado manter uma posição unânime entre os 55 membros da Uefa nessas circunstâncias. Na verdade, há um risco real de divisão do bloco contrário a Infantino.”
Uma terceira fonte questionou a eficácia da ameaça de boicote. “As ameaças iniciais de boicote não foram suficientes para forçar a saída de Infantino”, disse essa fonte.
Sobre o próximo torneio na Polônia, a mesma fonte acrescentou: “Não se trata apenas de poupar o país-sede, mas também do fato de que grandes seleções europeias, como França, Inglaterra e Espanha, já praticamente confirmaram sua participação”.
Esporte / Folha de São Paulo



