Uso de áudio e vídeo? Os planos de Nunes Marques para as pesquisas eleitorais

Ler Resumo
Em meio à ofensiva da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra institutos de pesquisa, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kassio Nunes Marques trabalha para construir um consenso que permita que a Justiça Eleitoral autorize levantamentos de intenção de votos que exibam áudios e vídeos que envolvem candidatos.
Nunes Marques foi alvo de críticas generalizadas depois que mandou tirar do ar uma pesquisa da Atlas Intel/Bloomberg em que os pesquisadores exibiram o áudio da conversa em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme do pai. Naquela pesquisa, o Zero Um caía seis pontos percentuais em um eventual segundo turno contra o presidente Lula.
Agora, o presidente do TSE discute com os demais integrantes do tribunal regras que permitam que áudios e vídeos possam ser incorporados aos questionamentos a serem apresentados ao eleitor. Uma das alternativas debatidas é que o material seja disponibilizado em um endereço eletrônico do próprio tribunal para que partidos políticos e outros interessados possam acessá-lo e eventualmente o questionar judicialmente.
Outra é que tanto áudios quanto vídeos só possam ser mostrados ao entrevistado depois de todas as perguntas sobre intenção de voto espontâneo (quando o instituto não apresenta uma lista prévia de candidatos) e estimulado (quando o eleitor escolhe um nome de uma lista pronta).
Partiu da Presidência do TSE a ideia de produzir um selo de acurácia para institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados dos levantamentos que fazem com os eleitores, mas a iniciativa foi alvo de críticas entre empresas do setor, que consideram haver erros conceituais básicos sobre pesquisas eleitorais.
Primeiro elas não são destinadas a predizer o voto no exato dia da eleição, e sim analisar, a partir de dados estatísticos, o que está acontecendo com o eleitorado no momento da medição nas ruas; segundo, intenção de voto não é o mesmo que o voto efetivamente depositado na urna (o eleitor entrevistado pode mudar sua convicção por múltiplos fatores ou mesmo faltar no dia da votação, por exemplo). Ainda assim, a ideia do selo continua em debate no TSE.
Depois de ter ouvido institutos de pesquisa, o ministro Nunes Marques elaborou uma pauta que será discutida com os demais integrantes do tribunal. Eis os principais pontos:
- se os institutos devem informar de antemão os locais nas cidades escolhidas nos quais colherão as respostas do eleitor;
- se o selo é possível de ser dado apenas levando em conta as pesquisas de intenção de votos feitas às vésperas da eleição em si;
- se todo o plano de pesquisa dos institutos deve ser tornado público pelo TSE;
- se nas pesquisas feitas a partir de links enviados ao entrevistado é possível garantir que o questionário não seja respondido por um robô;
- se os institutos terão de apresentar um formulário simplificado sobre metodologia, recorte estatístico, data de abertura da empresa e do primeiro registro na Justiça Eleitoral e outras variantes para que o eleitor comum entenda melhor como funciona uma pesquisa.
Veja



