Vieira vê acusação da PGR por abuso de autoridade como “patética”

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que vê como “equivocada” e “patética” a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em dar prosseguimento à ação apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo sobre o suposto abuso de autoridade por parte do parlamentar.
Em entrevista ao Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (21/7), Vieira afirmou que essa é uma tentativa de intimidação por conta dos desdobramentos da CPI do Crime e declarou que sua candidatura à reeleição será confirmada nesta semana.
“É uma decisão equivocada. Não tem nenhuma base técnica para essa manifestação do PGR Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar Mendes. O que ele diz é que os fatos não correspondem a abuso de autoridade, mas ele deixa aberta a possibilidade da PGE interpretar como algum tipo de ilícito eleitoral”, destacou.
O parlamentar foi acusado de abuso de autoridade após apresentar o relatório da CPI do Crime Organizado pedindo o indiciamento do decano da Corte e de outros magistrados.
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do Metrópoles
“É patético. É um esforço para prestar uma espécie de serviço ao ministro Gilmar Mendes, que tem ascendência sobre o PGR. Os atos praticados na CPI foram todos públicos, praticados no recinto do Senado. A Constituição garante total inviolabilidade para o parlamentar sobre essas condições”, ressaltou o parlamentar.
Entenda
- Alessandro Vieira pediu o indiciamento de Gilmar Mendes e de outros ministros na CPI do Crime.
- Relatório foi rejeitado no Congresso.
- Gilmar Mendes apresenta ação contra o parlamentar por abuso de autoridade.
- PGR rejeita pedido de arquivamento.
- Procuradoria aponta que Alessandro Vieira pode haver indício de desvio de finalidade e abuso de autoridade.
- Senador pode ficar inelegível.
Eleições
Em despacho, nesta semana, Gonet pede que o procurador eleitoral do Estado de Sergipe tome “as providências que acaso se fizerem necessárias”. Ele concluiu que Alessandro Vieira extrapolou as atribuições da CPI do Crime ao propor o indiciamento de Gilmar Mendes por crime de responsabilidade.
Para o senador, a ação não tem chances de avançar.
“É só uma tentativa de prolongar um processo de desgaste, de intimidação, mas que não vai funcionar. Agora a gente tem que continuar fazendo esse enfrentamento sempre de forma respeitosa, técnica, equilibrada , mas com muita firmeza. Os medos e abusos praticados por muitos ministros são muito evidentes”, destacou.
A crise começou após o senador propor, em abril, o indiciamento de Gilmar Mendes por crime de responsabilidade em sua minuta do relatório final da CPI. O texto foi rejeitado pelo colegiado por 6 votos a 4. Mesmo assim, o ministro acionou a PGR alegando abuso de autoridade.
Eleito senador em 2018, Alessandro Vieira reiterou que vai concorrer à reeleição em outubro deste ano. Ele afirmou acreditar que a ação apresentada contra ele não irá interferir no processo eleitoral.
“A avaliação vai ser feita pela procuradoria-geral estadual e isso descola a interferência política de Gilmar Mendes e de seus parceiros. Essa tramitação na PGR é totalmente atípica”, disse.
“Ainda vivemos numa democracia constitucional. Vamos ter, agora, no dia 25, a convenção do MDB em Sergipe para confirmar a candidatura para a reeleição ao Senado e vamos participar da campanha”, concluiu.
Metrópoles






