Virginia Fonseca faz aplicação de botox na cabeça; entenda o procedimento

A influenciadora Virginia Fonseca usou as suas redes sociais para compartilhar um bastidores que chamou a atenção de milhões de seguidores. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, a empresária mostrou os bastidores de uma nova aplicação de toxina botulínica na região da cabeça. Antes mesmo de chegar à clínica, Virginia desabafou com os fãs sobre a sensação das agulhadas. Ela descreveu o método como “algo que dói”, mas ponderou logo em seguida ao afirmar que “ama” o resultado do processo.
Segundo ela relatou, o procedimento adotado faz parte de um tratamento contínuo e preventivo contra a enxaqueca.
O mecanismo de ação: Como o procedimento de Virginia Fonseca bloqueia a dor?
Embora o público associe o produto usado por Virginia imediatamente ao rejuvenescimento facial, a aplicação neurológica possui objetivos totalmente diferentes. O tratamento atua de forma direta no sistema nervoso periférico para reeducar os estímulos que as células enviam ao cérebro. Por consequência, a técnica reduz o sofrimento diário de quem convive com o problema.
“A explicação está no seu mecanismo de ação, que vai muito além do músculo e atua diretamente no sistema nervoso periférico, blocking a liberação de substâncias responsáveis pela sinalização da dor. A toxina botulínica age no neurônio sensitivo, impedindo a liberação de vesículas que transmitem o estímulo doloroso ao cérebro. Quando interrompemos esse processo repetidamente, o cérebro começa a desfazer o caminho da dor que havia aprendido – e que culminava na dor. É por isso que, ao longo do tratamento, a frequência das crises diminui”, explica o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).
Essa atuação periférica minuciosa permite que a substância reduza tanto as fibras relacionadas à dor aguda quanto aquelas envolvidas na dor crônica.
“É exatamente por isso que ela se tornou uma ferramenta importante para ‘descronificar’ pacientes que convivem há anos com enxaqueca persistente”, diz o médico.
Indicação para diferentes tipos de enxaqueca e diferença da estética
Existem diferentes classificações clínicas para a doença que atinge Virginia , incluindo a migrânea com aura, sem aura, a migrânea vestibular e a cefaleia com predomínio tensional. Contudo, como todas compartilham a mesma base fisiopatológica, o tratamento pode ser amplamente indicado. Portanto, as indicações englobam uma grande quantidade de pacientes.
“Por esse motivo, a toxina botulínica pode ser indicada para diferentes perfis de pacientes. O que muda entre essas classificações são os sintomas predominantes, como tontura, sinais neurológicos ou dor mais tensional. Mas, como a origem da doença é genética e o mecanismo de dor é semelhante, a toxina botulínica pode ser utilizada em todos esses casos”, afirma o médico.
O especialista esclarece, porém, que o uso médico feito por Virginia utiliza apenas a toxina botulínica tipo A. Assim sendo, o foco baseia-se exclusivamente no bloqueio nervoso, e não no muscular.
“Na estética, a ideia é relaxar o músculo. Na enxaqueca, buscamos bloquear o nervo. O efeito estético que pode surgir, especialmente na região da testa, é apenas um efeito colateral do tratamento neurológico”, esclarece o especialista.
O Protocolo PREEMPT e as etapas do tratamento
Para garantir a total segurança e eficácia do procedimento feito por Virginia, o tratamento segue à risca o protocolo PREEMPT, um padrão reconhecido internacionalmente. As sessões iniciais ocorrem a cada três meses. Adicionalmente, os médicos mantêm o ciclo preventivo por um período mínimo de oito aplicações.
“Ele determina 31 pontos fixos de aplicação, distribuídos estrategicamente para atingir os nervos envolvidos na dor. Em alguns casos, pontos adicionais podem ser incluídos, conforme a resposta clínica do paciente. A toxina não deve ser aplicada ‘onde dói’. O protocolo é fundamental para garantir eficácia e segurança”, reforça o Dr. Tiago de Paula.
O foco central da estratégia médica adotada por Virginia é evitar que o incômodo se instale.
“Com a estabilização do quadro e o controle das crises, é possível avaliar o espaçamento entre as sessões. O objetivo do tratamento não é tratar a crise, mas impedir que ela aconteça. Quando chegamos à fase de controle, muitos pacientes deixam de precisar de medicamentos para dor”, destaca.
Mudança de hábitos e associação com terapias modernas
Paralelamente às injeções exibidas por Virginia, o paciente precisa corrigir fatores agravantes do cotidiano. Por exemplo, rotinas de sono desreguladas, uso excessivo de estimulantes e o consumo inadequado de analgésicos comuns merecem atenção redobrada.
“Tratar enxaqueca não é tomar remédio quando a dor aparece. É fazer com que as crises não aconteçam mais. Quando isso é alcançado, o paciente entra em remissão”, afirma o neurologista.
Em quadros mais complexos, a medicina atual oferece alternativas combinadas para acelerar o bem-estar do paciente. Em virtude disso, novos compostos ganham espaço.
“Mas é importante enfatizar que, embora em alguns pacientes a toxina botulínica posse ser suficiente como único tratamento, em casos mais graves, com dor intensa e uso diário de medicamentos, pode ser necessária a associação com terapias mais modernas, como os anticorpos anti-CGRP, disponíveis no Brasil. Estas medicações ajudam a acelerar a melhora e podem ser usadas de forma temporária, até que o paciente alcance um controle mais estável”, explica.
Por fim, o médico tranquiliza os pacientes a respeito do perfil de segurança da substância aplicada em Virginia Fonseca, visto que o composto possui atuação estritamente local.
“Inclusive, pode ser realizado por gestantes e mulheres em fase de amamentação, já que a toxina atua localmente e não tem efeito sistêmico significativo”, completa. “Com o tratamento, buscamos a possibilidade real de recuperar qualidade de vida. Mas é fundamental que a aplicação seja feita por um médico especialista”, finaliza o neurologista.
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