Vítima diz que pena de irmão de Virginia foi branda

CONDENADO
Lilly Martins comemorou a condenação de William Pimenta, mas afirmou que ficou frustrada por pena ser substituída por prestação de serviços comunitários
Influenciadora vítima de importunação sexual diz que pena de irmão de Virginia foi branda: “Apenas um ano” (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A influenciadora Lilly Martins, que denunciou ter sido vítima de importunação sexual pelo empresário William Pimenta Gusmão, irmão de Virginia Fonseca, considerou branda a pena aplicada pela Justiça. Em vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira (10), ela disse estar satisfeita com a condenação, mas lamentou que o empresário tenha sido sentenciado a apenas um ano de prisão em regime aberto, pena que foi substituída por prestação de serviços comunitários.
“É ridículo uma pessoa ser condenada e continuar mentindo. Eu estou muito feliz pela condenação dele, mas a única coisa que me deixou triste foi a pena dele. Apenas um ano de prisão que foi revertido em serviço comunitário. É muito triste, mas estou feliz por outra parte, que ele foi condenado e a Justiça está sendo feita”, declarou.
No vídeo, Lilly também incentivou outras mulheres a denunciarem casos de violência sexual. “A Justiça existe. Denunciem, não fiquem caladas”, afirmou.
A condenação foi decidida por unanimidade na última terça-feira (07), durante julgamento da 4ª Turma da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Os desembargadores reformaram a sentença de primeira instância, que havia absolvido William por falta de provas, e o condenaram por um dos dois episódios de importunação sexual analisados no processo.
Além da pena de um ano de prisão em regime aberto, convertida em prestação de serviços à comunidade, o empresário vai responder pelos efeitos da condenação, ainda passível de recurso.
Caso foi inicialmente arquivado
O caso aconteceu em abril de 2023, durante uma festa realizada no Clube do Laço, em Jussara, na região Oeste de Goiás. Segundo Lilly, ela pediu para tirar uma foto com William e, durante o registro, ele colocou a mão por dentro da calça dela sem consentimento. A jovem afirmou ainda que foi abordada uma segunda vez durante o evento.
Na época, ela contou que ficou sem reação e que a namorada, que fazia a fotografia, não percebeu o momento da importunação. Depois de relatar o ocorrido para a companheira, decidiu evitar uma confusão por considerar que o empresário era uma pessoa influente. Mais tarde, segundo ela, passou a ser filmada pela namorada após uma nova aproximação de William.

Em fevereiro deste ano, a Justiça de primeira instância absolveu o empresário. Na decisão, a magistrada entendeu que não havia provas suficientes para comprovar o crime e apontou contradições nos relatos apresentados durante a instrução do processo.
Entre os elementos considerados estava um vídeo apresentado pela defesa que mostraria um beijo consensual entre os dois durante a festa, fato que contrariava a versão inicial da vítima de que não havia existido qualquer contato íntimo. A juíza também mencionou publicações feitas nas redes sociais sobre o caso e aplicou o princípio jurídico do in dubio pro reo, segundo o qual a dúvida favorece o réu.
Posteriormente, o Ministério Público pediu o arquivamento das investigações que apuravam supostos crimes de denunciação caluniosa contra Lilly e de falso testemunho contra sua companheira. O pedido foi aceito pela Justiça.
“Foi um inferno”

Após a condenação em segunda instância, Lilly afirmou que a decisão representa o fim de um período difícil iniciado após a denúncia.
“Na época, eu entrei em depressão. Foi um inferno até a data de hoje. Ele falando mal de mim, postando mentiras sobre mim, fazendo a advogada ir na porta do meu trabalho. Todo mundo fazia chacota com a minha cara, falava que eu só queria seguidores. Eu só queria justiça, e a justiça, graças ao meu bom Deus, chegou”, afirmou.
Defesa vai recorrer
Em nota, a defesa de William Pimenta Gusmão informou que discorda da decisão e destacou que a condenação ainda não é definitiva.
Os advogados afirmam que o empresário nega a prática do crime e sustentam que o Ministério Público se manifestou favoravelmente à absolvição tanto na primeira instância quanto durante o julgamento do recurso. Segundo a defesa, ainda cabem recursos aos tribunais superiores, que serão apresentados nos próximos dias.
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