Política

‘Você não fala a verdade. O governo federal não está acabando com o Fundo [Constitucional]”, diz Leandro Grass a Celina Leão em debate

O candidato ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT) criticou a administração de Celina Leão (PP) durante o debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, na noite desta terça-feira (1º). Ao responder a uma pergunta sobre o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), o candidato questionou os resultados da gestão de Celina e do governador Ibaneis Rocha (MDB) nas áreas de saúde, educação e segurança.

Celina Leão questionou Leandro Grass sobre como ele pretende atuar diante das mudanças na regra de atualização do Fundo Constitucional. A candidata afirmou que o mecanismo estaria novamente sob ataque do governo federal e destacou sua atuação no Congresso Nacional para defender os recursos destinados ao DF.

Grass contestou a avaliação e afirmou que a mudança aprovada pelo Congresso não representa uma redução do Fundo Constitucional. Em seguida, citou o aumento dos repasses durante o governo Lula. “Sabe qual é o problema? Você não fala a verdade. O governo federal não está acabando com o fundo, ele não está reduzindo o fundo, ele não está diminuindo. Sabe o que aconteceu no governo do presidente Lula, Celina? Aumentou o Fundo Constitucional”, afirmou.

Na sequência, o candidato direcionou as críticas para os serviços públicos do DF e responsabilizou Celina, que foi vice-governadora durante os dois mandatos de Ibaneis Rocha, pelos resultados da administração. 

“Você teve a oportunidade de fazer a melhor saúde pública do Brasil, a melhor educação, a melhor segurança pública do Brasil. Sabe o que você está entregando? Você está entregando o último lugar no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Você está entregando o maior tempo de espera para exames e cirurgias em todo o país”, criticou.

O candidato também citou indicadores relacionados à segurança pública. Segundo ele, o Distrito Federal registrou aumento de feminicídios, roubos e furtos durante a atual administração.

Fundo Constitucional

A discussão sobre o Fundo Constitucional foi o principal ponto utilizado por Celina para responder às críticas. A vice-governadora afirmou que pretende recorrer à Justiça contra uma mudança aprovada pelo Congresso que pode afetar indiretamente o ritmo de crescimento dos repasses ao DF. 

“E novamente, quem faz a defesa do Fundo Constitucional não são as forças aqui do PT. Somos nós que vamos para a Justiça, agora entrar com uma ação de inconstitucionalidade, porque é uma lei dentro de uma lei de petróleo”, afirmou Celina.

A alteração exclui determinadas receitas de petróleo do cálculo da Receita Corrente Líquida da União, base usada para atualizar o fundo. Grass contestou a avaliação e afirmou que o Fundo Constitucional cresceu durante o governo Lula. O candidato comparou os valores destinados ao DF nos governos Bolsonaro e Lula e citou R$ 16 bilhões no último ano da gestão anterior, contra R$ 28 bilhões previstos no governo atual.

“Vou falar de novo. O seu ex-presidente da República que está preso, o Jair Bolsonaro, pai do Flávio que você apoia, entregou o último ano de governo ao Fundo Constitucional em 16 bilhões. Quanto o presidente Lula vai entregar? 28 bilhões”, afirmou o candidato.

Contas públicas

Leandro Grass também levou o embate para a situação fiscal do Distrito Federal e responsabilizou Celina e Ibaneis pelo cenário das contas públicas. O candidato citou um rombo de R$ 5 bilhões e criticou a previsão de superávit de R$ 3 bilhões apresentada pela atual administração.

“Você [Celina] e o Ibaneis, seu governo, deixaram um rombo de R$ 5 bilhões. Agora fica falando que vai ter superávit de R$ 3 bilhões. Isso é coisa de futuro, que não acontece ainda, não está pronto”, disse. 

“A conta está vermelha, o povo está na fila. Quem é vítima, Celina, não é você. É quem morreu na fila da UPA e no Hospital de Base”, completou. 

O debate reuniu, além de Celina Leão e Leandro Grass, José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).


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