Vozinha na janela

Mais de 30 mil pessoas foram ao estádio receber a nova contratação do time. Um show incluindo DJs e a participação de Forest, el Rey del Mambo, animou os populares. Depois, o atleta radical Sebastián Álvarez deixou seu wingsuit de lado para fazer um pouso mais tranquilo, de paraquedas, e entregar a camisa para o recém-contratado —antes de brindar com um energético que patrocinava a ação, não tem almoço grátis.
Não estamos falando da chegada de Bruno Guimarães ao Arsenal (uhu) ou do desembarque de Cucurella no Real Madrid —nem da ida de Almada ao River Plate, ou da de Boto ao aeroporto. A descrição acima foi para a apresentação no Colo-Colo do goleiro cabo-verdiano Vozinha, escolhido informalmente como o jogador mais queridão da Copa do Mundo (o melhor goleiro foi outro).
Foi aparentemente também um belo negócio para o Colo-Colo do ponto de vista marqueteiro. Primeiramente porque o goleiro estava sem clube, foi de graça (fora o salário). E, certamente, a estreia do quarentão Vozinha será destaque nas TVs e sites do mundo. E quando sofrer o primeiro gol, pegar o primeiro pênalti, levar o primeiro frango? Tudo será festa.
Com mais de dez pontos na frente do segundo colocado, o time chileno tem tudo para voltar à Libertadores e trazer o goleiro de 29 milhões de seguidores para o Brasil também. Já imagino flamenguistas e palmeirenses torcendo no sorteio para ter o Colo-Colo em seu grupo no principal torneio sul-americano —não dá para imaginar ainda um outro brasileiro.
Na parte estrangeira da janela, muitos negócios ainda serão feitos, mas talvez as principais novelas já tenham seu final. Vinicius Junior e seu entourage passaram a impressão de ter usado o Arsenal (uhu) para ganhar o aumento que queria do Real Madrid.
Diomande, jovem sensação da Costa do Marfim e de ótima Copa, fechou com o Real Madrid por algo em torno de 120 milhões de euros, ou 78 bilhões de dinheirinhos marfinenses.
Ainda tem uma ou outra minissérie sem final definido, como Rodri e Seus Três Amores, estrelada pelo melhor jogador do Mundial, disputado por Barcelona e Real, apesar de já ser casado com o Manchester City.
Em outros anos, o grande temor nesta época da temporada por aqui era com os craques dos times brasileiros seduzidos pelo dinheiro da Europa, da Ásia ou dos EUA —ou, no caso do Corinthians, do Zenit.
Mas este lado da janela parece meio emperrado, sorte a nossa.
E tem ainda o outro lado, dos ricos brasileiros comprando qualquer um —os ricos brasileiros nunca sabem o que fazer com dinheirinho na mão. Vejam ele, o Boto, por exemplo. O luso do Flamengo não conseguiu gastar o dinheiro com Almada (para posição que não é carência do clube) e agora tenta Luiz Henrique, do Zenit (para posição que não é carência do clube). Boto parece a protagonista da comédia “Tô Ryca”, que precisa gastar milhões para ter direito a uma bolada muito maior.
Que time no Brasil consegue se sair de maneira pior na janela: o que não tem dinheiro e contrata ou o que tem, mas não sabe gastar?
E não percam, nesta quarta (12), a final da Supercopa da Europa, entre PSG e Aston Villa, mais uma oportunidade para a Uefa dar um tapa com luva de adamantium na cara da Fifa. O juiz da partida será o somali Omar Artan, aquele que foi impedido de entrar nos EUA na Copa —só faltou chamarem Raphael Claus para o VAR.
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Esporte / Folha de São Paulo



