Zema mira Moraes e diz que busca e apreensão na casa de Bolsonaro é ‘extremamente suspeita’

O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, afirmou nesta quarta-feira (8) que a operação de busca e apreensão da Polícia Federal realizada na casa onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está em prisão domiciliar é “extremamente suspeita”.
A busca foi feita sob determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O objetivo era verificar se ainda havia armas guardadas por Bolsonaro, mas, segundo a defesa do ex-presidente, nada foi localizado no local.
“Avalio como, mais uma vez, uma operação extremamente suspeita. Acho que um juiz que se indispõe com outra pessoa tem uma suspeição para julgar”, disse Zema em entrevista a jornalistas após reunião da Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios, em Brasília.
Sem citar nominalmente a mulher de Moraes, Viviane de Barci, o ex-governador mineiro disse ainda que o ministro deveria “ter aprovado uma invasão à casa da advogada que fez um contrato de R$ 129 milhões”, em referência ao acordo do escritório dela com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
“Será que ele [Moraes] aprovou essa operação? Essa operação é que está causando vergonha ao Brasil. Está falando que o Supremo tem gente lá que, em vez de olhar para os interesses do Brasil, está preocupada em ficar milionário. Será que ele vai aprovar essa operação? Esse brasileiro vai aplaudir muito mais e o mundo também”, afirmou Romeu Zema.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o contrato do Master com o escritório de advocacia previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, R$ 3,6 milhões por mês.
Documentos da Receita Federal obtidos pela Folha indicam que os repasses se estenderam por 2025 e chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos.
Após a reunião com o empresariado, o pré-candidato do Novo também afirmou que o governo do presidente Lula (PT) está colhendo o que foi plantado em relação ao tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros sugerido pelo governo Donald Trump.
Zema defendeu ser necessário “tratar bem os Estados Unidos” e disse que o petista não faz isso. Mencionou que Lula já fez acenos à proposta de desdolarização e citou a proximidade do atual presidente com os regimes de Fidel Castro, de Cuba, e Hugo Chávez e Nicolás Maduro, ambos da Venezuela.
“Se eu sou presidente dos Estados Unidos e estou vendo um presidente de um país agir dessa maneira, será que eu tenho interesse de contribuir com esse país? Eu acho que não. Eu vou ter interesse até em fazer alguma retaliação. Então, me parece que nós estamos colhendo aquilo que foi plantado”, disse.
Questionado sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em audiência do USTR (Escritório de Comércio dos EUA) na terça (7), Zema evitou criticar o bolsonarista, mas afirmou que a proposta de adiar as tarifas até depois das eleições “é atribuição do governo, e não de candidato”.
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Folha de São Paulo



