Paulista, CPTM expande negócios em trilhos para o Rio de Janeiro

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) expandiu seus negócios para além dos trilhos de São Paulo.
Na última sexta-feira (29), a empresa da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) assinou um contrato que poderá ultrapassar R$ 10 milhões para que a CPTM Serviços, um braço da estatal paulista, faça uma espécie de auditoria da nova concessão de trens do Rio de Janeiro.
O contrato foi assinado com a PY13 Participações S/A, empresa controlada pela Nova Via Participações, e que assumiu o transporte ferroviário de passageiros da Região Metropolitana do Rio de Janeiro —em fevereiro, o consórcio, único concorrente, venceu o leilão para substituir a SuperVia, em recuperação judicial desde 2021.
Segundo a CPTM, o contrato prevê que a companhia faça um diagnóstico técnico da linha fluminense.
Com vigência de 180 dias, o acordo prevê que a empresa paulista faça, entre outros, diagnóstico do inventário e do passivo assumido pelo novo consórcio.
O valor da remuneração base é de R$ 9.009.804,43. Serão desenvolvidos 34 produtos técnicos. O montante poderá chegar a R$ 10.150.284,53 se a concessionária do Rio fizer a contratação de serviços adicionais sob demanda, como análises laboratoriais, medições de ruído e levantamento de custos para emissão de licenças ambientais.
“A CPTM Serviços projeta sua excelência operacional para além de São Paulo ao assumir o diagnóstico técnico da malha ferroviária do Rio de Janeiro”, diz o presidente da estatal, Michael Cerqueira.
Esse é o segundo acordo com o estado vizinho. Em 2024, foi firmado um contrato com a Central Logística, órgão vinculado à Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana do Estado do Rio de Janeiro, para elaboração de estudos técnicos e mensuração de custos para operação, manutenção e estabilização do sistema ferroviário de transporte de passageiros do Rio de Janeiro.
O estado fluminense tem uma malha de 270 km, dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações, transportando uma média de 300 mil passageiros diariamente.
A expansão dos novos negócios ganhou força com a concessão dos ramais de trens metropolitanos de São Paulo —apenas a linha 10-turquesa não foi privatizada.
A empresa, por exemplo, elaborou o projeto funcional do trem Santos–Cajati, que prevê ligação ferroviária entre o litoral paulista e o Vale do Ribeira, com 223,6 km de extensão.
Criada em setembro de 2024, a CPTM Serviços soma desde então 13 contratos assinados com governos e empresas privadas, segundo Cerqueira (o projeto do litoral não faz parte desse braço da empresa).
Os acordos são para consultoria, simuladores de trens, treinamentos, gestão de projetos e contratos, projetos de mídia e varejo; e turismo ferroviário, entre outros.
Um deles é a elaboração do anteprojeto de sistemas do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), da Prefeitura de São Paulo para o centro da capital paulista, que a gestão Ricardo Nunes (MDB) já disse que deve mudar para VLE, com outro tipo de modelo elétrico.
A CPTM também poderá fornecer projetos de engenharia.
Tarcísio sinalizou recentemente que irá dar uma freada nos planos de concessão da última linha sob gestão pública. A prioridade agora, segundo ele, é a modernizar a linha 10, com projeto trocado pela própria companhia.
Atualmente, está em fase de transição a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Até julho, a concessionária Trivia Trens vai executar tarefas de operação e manutenção sob supervisão da CPTM. A gestão privada total será em julho de 2027.
Na segunda passada (1º), Tarcísio afirmou que, no momento, não tem planos de conceder as linhas de metrô em novo sinal contra privatizações no transporte público.
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Folha de São Paulo



