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Brasil tem o seguro rural ‘mais frágil’ entre os principais produtores agrícolas no mundo

O estudo, obtido com exclusividade pelo Valor, analisou os sistemas de seguro rural em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru, e os comparou com o do Brasil. Anna Cortellini, pesquisadora do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR) do FGV Agro e uma das autoras do estudo, avalia que não há uma “receita pronta”, mas diz que o sistema brasileiro precisa melhorar.

O nível de cobertura de seguro rural na Espanha varia entre 60% e 90%, a depender da cadeia produtiva, mostra o FGV Agro. No Brasil, a área segurada ficou em 3,3% da extensão plantada na última safra de grãos, de 2024/25, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

“Na situação do Brasil, é difícil comparar com os Estados Unidos, que possuem o sistema de seguro mais robusto. Mas, na Ásia, a Índia tem um seguro rural que funciona, por exemplo”, observa Cortellini. Os EUA têm forte subsídio ao prêmio e cobertura próxima de 90% nas principais culturas. No modelo indiano, o agricultor paga de 1,5% a 5% do prêmio, o Estado cobre até 90%, e a cobertura chega até 40% da área cultivada no país.

O maior montante destinado e executado à subvenção foi registrado em 2021, com R$ 1,15 bilhão. Desde então, os valores caíram e, em 2025, atingiram o menor nível desde 2019: R$ 565,3 milhões, conforme dados do Ministério da Agricultura. No ano passado, o orçamento inicial do PSR era de R$ 1,06 bilhão, mas teve redução de 47%.

“O PL vem para evitar que o orçamento [do PSR] sofra cortes e contingenciamentos. O mercado segurador está muito otimista com a aprovação, não só por isso, mas também pelo fundo de catástrofe que está sendo desenhado”, avalia Nascimento, da Fenseg. Caso esses pontos sejam aprovados, a percepção é de que o seguro rural do Brasil “vai para um patamar mais próximo dos sistemas de países mais maduros”, avalia.

“Dificilmente esse montante virá, mas ele permitiria que as seguradoras pudessem se preparar e investir em tecnologias para vistorias remotas para as perícias, por exemplo”, diz o executivo. Segundo Nascimento, 2025 foi “muito difícil” para o mercado de seguro rural e, 2026 “ainda tem um cenário muito desafiador”.


Globo Rural

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