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Dia do Meio Ambiente: os cuidados na devolução de embalagens de defensivos agrícolas



O processo de devolução das embalagens de defensivos agrícolas exige atenção do produtor rural para garantir a segurança ambiental e o cumprimento da legislação. Nesta sexta (5 de junho), quando é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), entidades e cooperativas alertam que o descarte inadequado de embalagens vazias pode causar sérios impactos ambientais, uma vez que que os resíduos químicos remanescentes podem contaminar o solo, lençóis freáticos, nascentes, rios, além de afetar a fauna e a flora.
Adotar as boas práticas de armazenagem – em local seguro, coberto e com acesso controlado – e a correta devolução das embalagens contribuem, ainda, para a segurança dentro das propriedades rurais, evitando acidentes, intoxicação de animais e exposição de trabalhadores e familiares aos resíduos químicos.
“Práticas como queimar, enterrar ou abandonar embalagens no campo são consideradas infrações ambientais e podem resultar em penalidades ao produtor”, reforça Felipe Matheus de Castro, técnico em meio ambiente da cooperativa Cocari.
Com sede em Mandaguari (PR), a Cocari mantém ações de orientação e apoio aos produtores. Castro comenta que a cooperativa promove em todo seu raio de atuação – nos Estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais – iniciativas que possam facilitar a destinação correta das embalagens de defensivos.
Um dos associados da Cocari que prioriza as boas práticas na propriedade é o produtor Valter Luiz Milani, de Marialva (PR). O agricultor, que planta grãos em uma área de 350 hectares, retira os produtos na cooperativa conforme a necessidade e fica atento do momento da aplicação até a entrega das embalagens vazias dos defensivos, seguindo as recomendações.
“Hoje o agricultor faz um trabalho bonito, você não acha embalagens jogadas em vales ou nas beiras dos rios”, comenta Milani.
Para enviar as embalagens para o destino final, Milani relata que mantém a tríplice lavagem e inutilização do recipiente por meio de furos, assim como a separação das tampas e lacres e das embalagens contaminadas ou não laváveis. A entrega para a empresa que passa recolher o material é feita em big bags, a fim de facilitar o armazenamento temporário na fazenda e o transporte no momento da retirada.
“Fazemos tudo o que é necessário, para cumprir a legislação, com o uso de EPIs [equipamentos de proteção individual] e conscientes desde o momento da aplicação, a fim de cuidar da saúde do colaborador e de não contaminar a cultura do vizinho”, afirma.
Etapas para a devolução das embalagens vazias:
Fazer a tríplice lavagem: após esvaziar completamente o conteúdo no pulverizador, o agricultor deve adicionar água limpa à embalagem, tampar e agitar por cerca de 30 segundos. A água utilizada na lavagem deve ser despejada no tanque de pulverização. O procedimento deve ser repetido três vezes;
Perfurar o fundo da embalagem: ação visa impedir qualquer reutilização indevida. As tampas devem ser armazenadas separadamente e entregues junto ao restante do material no momento da devolução;
Encaminhar as embalagens ao posto ou central de recebimento: o local estará indicado na nota fiscal e deve ser entregue dentro do prazo legal de até um ano após a compra;
Ao realizar a entrega na unidade, exija e guarde o comprovante de devolução.
Fonte: Sistema Campo Limpo e Cocari Cooperativa
Conscientização
Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), destaca a conscientização do produtor rural. A entidade gestora do Sistema Campo Limpo,, que garante o descarte ambientalmente correto de embalagens de agrotóxicos.
O dirigente lembra que a destinação adequada das embalagens chegou a 76 mil toneladas em 2025, um crescimento de 11% em comparação ao ano anterior. Desde 2002, quando o sistema teve início no Brasil, são mais de 902 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente.
Segundo Okamura, os dados refletem a eficiência do programa, mas ainda é preciso avançar, principalmente nas novas fronteiras. “Estamos presentes em todo o país, mas o desafio é aumentar a capilaridade do sistema em regiões mais distantes e que estão abrindo grandes áreas de produção agrícola como Tocantins, Rondônia e o norte do Mato Grosso”, elenca.
O presidente do inpEV revela que serão investidos R$ 70 milhões pelo setor, neste ano, na construção de unidades de recebimento de embalagens. “Todos os anos, abrimos novas centrais de recebimento para aumentar a capacidade do sistema”, salienta.
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Outro investimento é a implantação de uma fábrica com tecnologia voltada à reciclagem das embalagens contaminadas, que não podem ser recicladas do modo convencional e atualmente são encaminhadas para incineração. Entre essas embalagens estão sacos plásticos ou multifolhados usados para produtos sólidos e embalagens de materiais destinados a tratamento prévio de sementes.
Segundo Okamura, a fábrica deve entrar em funcionamento até o início de 2028, possibilitando a reciclagem de 100% das embalagens. Hoje, o percentual de embalagens de defensivos que têm como destino a reciclagem é de 92%.
Okamura alerta para uma preocupação gerada por consequências dos conflitos internacionais, que afetam o preço do petróleo, aumentando os valores das resinas: “há risco de evasão dessas embalagens para recicladores clandestinos, o que é um perigo”.
O executivo reforça que a operação do Sistema Campo Limpo é viabilizada por uma rede oficial composta por 424 unidades de recebimento em funcionamento, 12 recicladores parceiros e a homologação de 38 tipos de artefatos, incluindo novas embalagens e tampas para defensivos agrícolas.


Globo Rural

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