Cultivo de cogumelos dobra em uma década no Paraná


O Paraná é um dos Estados que mais ampliou a produção de cogumelos na última década no país. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), os produtores colheram 982 toneladas em 2024 (último ano com dados certificados), um crescimento de 106% em relação a 2014.
A produção é concentrada na região metropolitana de Curitiba, com destaque para as cidades de São José dos Pinhais e Tijucas do Sul. Nesta última fica a Cooperativa Agroindustrial de Produtores de Cogumelos e Demais Produtos de Tijucas do Sul e Região (Coopertijucas), fundada em 2012 para atender às demandas dos produtores, que tinham volume de oferta de fungos, mas não conseguiam escoar o produto.
Sergio de Oliveira Brito, produtor e presidente da cooperativa, diz que a cooperativa se encarregou da comercialização e passou a incentivar outros produtores a entrarem na atividade. Atualmente, a região de Tijucas do Sul e Curitiba tem de 80 a 100 cultivadores de cogumelos in natura e em conserva, a maioria agricultores familiares que têm o fungo como carro-chefe da renda, mas mantêm outras atividades na propriedade.
A produção fica entre 10 e 12 toneladas por mês, sendo 70% in natura. Uma parcela de 30% vai para o Ceasa da capital paranaense e o restante é comercializado com distribuidores e supermercados.
O presidente diz que, antes da cooperativa, a região de Tijucas era muito forte na produção de fumo. No entanto, a maioria dos produtores locais resolveu converter as estufas de secagem de tabaco para o cultivo de cogumelos.
Paulistano, Brito se encantou com os cogumelos desde que se mudaou para Tijucas do Sul, há 15 anos. “Eu não conhecia nada sobre o cultivo. Trabalhei muitos anos em gráfica em São Paulo e depois passei dez anos em Lisboa. Quando voltei em 2011, resolvi realizar o sonho de ter uma propriedade rural. Pesquisei o que poderia produzir e quando conheci o cultivo de cogumelos foi paixão à primeira vista”, lembra.
Brito começou a produção com uma estufa de champignon de Paris e depois acrescentou o tipo Porto Belo. Hoje, ele tem quatro estufas, que produzem cerca de 30 toneladas por ano.
Coopertijucas produz entre 10 e 12 toneladas de cogumelos por mês, sendo 70% in natura
Divulgação
O dirigente diz que muita gente procura a cooperativa em busca de informações sobre a fungicultura, que é bem rentável, com lucratividade de R$ 5.000 a R$ 6.000 por estufa, mas o maior desafio é o acesso à assistência técnica porque pouca gente conhece o assunto. O investimento em uma estufa climatizada, diz, varia de R$ 40 mil a R$ 50 mil, com prazo médio de retorno de três anos.
“Incentivo e acompanho novos produtores, mas cerca de 90% desistem logo porque cultivar cogumelos não é uma tarefa fácil”, afirma Brito.
“Exige muito cuidado, não é apenas jogar na terra, regar e esperar nascer. Precisa ter controle rigoroso de temperatura, umidade, acompanhar diariamente o substrato, saber identificar a hora certa de colher e como manipular”, completa.
Brito diz que o maior concorrente do produto nacional é a China, que “despeja” toneladas de conserva de champignon de Paris no Brasil com preço 30% inferior e paga menos imposto. “O cogumelo se popularizou. O produto chinês, embora tenha muito conservante e gosto forte, é o mais consumido por quem não consegue pagar por um cogumelo de mais qualidade”, afirma o presidente da cooperativa, acrescentando que vem investindo em mais tecnologia para ser mais eficiente na atividade.
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