Como um ex-gerente comercial trocou o mundo corporativo pela produção agroecológica


Você trocaria uma carreira no mundo corporativo pela produção agroecológica? Foi o que fez Émerson Amorim, 35 anos, morador de Ibiporã (PR). Formado em direito, ele atuava como gerente comercial de uma empresa de elevadores automotivos. Até que resolveu deixar a empresa, em 2023, para investir na propriedade da família.
A rotina de uma reunião atrás da outra deu lugar, então, a um trabalho mais “solitário” no cultivo da terra. “Pelo fato de estar trabalhando em um ambiente familiar, produzindo alimento, acho que foi a melhor decisão que eu já tomei”, resume o produtor, casado com Aline, 35, e pai de Pedro, dez anos, e Samuel, cinco.
A missão inicial era fazer com que a propriedade gerasse lucro. Até então, os alimentos eram cultivados apenas para consumo próprio pelos pais de Émerson. Com a guinada, o produtor investiu em estufas para proteção dos cultivos, o que permitiu produzir mais em um espaço menor. Ele também passou a buscar canais de distribuição, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
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“A maior preocupação do produtor, ao se tornar orgânico, não é o manejo, e sim a comercialização. Eu vou me tornar orgânico e vender para quem?”, questiona Amorim.
O tomate é o carro-chefe do empreendimento. São cerca de 6 mil quilos por estufa a cada um dos dois ciclos anuais. Émerson também produz pepino, pimentão, alface, cebolinha e abobrinha. Recentemente, começou a investir também no cultivo da pitaya.
A opção pelo orgânico se deu para buscar diferenciação e maior valor agregado. A avaliação foi de que competir no modelo convencional seria difícil devido à pouca escala, já que a propriedade possui pouco mais de um hectare.
Émerson ao lado da esposa, filhos e pais
Arquivo pessoal
Sem usar produtos químicos, Amorim adota a rotação de culturas como estratégia para evitar doenças, combater pragas e preservar o solo. Dessa forma, a alternância envolve os cultivos de tomate, pepino, abobrinha e pimentão.
Ele ressalta que produzir alimentos orgânicos vai além de “não usar veneno”. O processo produtivo envolve respeito ao solo, manejo da água, biodiversidade e cobertura vegetal. O conjunto de práticas contribui com o controle de erosão, conservação da umidade e o equilíbrio do ambiente.
Meu pai vem de uma geração mais antiga, que estava acostumada com o veneno, com a capinagem. Não podia ver um mato, já queria deixar o solo limpo. Mas hoje a gente vê que não é assim.
Cerca de 70% da produção é destinada à merenda escolar nos municípios de Ibiporã e Jataizinho. O restante é comercializado via distribuidores ou então pelo delivery, por meio do WhatsApp.
“Quando entregamos na escola do meu filho, ele diz: ‘Meu papai produz alimento orgânico, não tem veneno’. É muito gratificante”, orgulha-se.
A transição para o orgânico contou com o apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). A propriedade conta com certificação pela Tecpar e pelo programa Paraná Mais Orgânico.
Maior parte dos alimentos é encaminhada a escolas da região
Arquivo pessoal
Globo Rural



