Copa do Mundo deve ter menor nível técnico da história – 10/06/2026 – Esporte

Em meados de 2017, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou que a Copa do Mundo passaria a ser disputada por 48 seleções a partir da edição de 2026, rompendo com o formato de 32 equipes adotado desde a França, em 1998.
Segundo a entidade, a decisão tinha como objetivo tornar o futebol mais global, dando a oportunidade a países cujas seleções não têm tanta tradição no esporte. Aumentar as receitas e angariar mais apoio político das federações também compunham o hall de intenções de Gianni Infantino, presidente da Fifa.
Na esteira da nova resolução, quatro seleções farão sua estreia na Copa do Mundo na América do Norte —Cabo Verde, Jordânia, Uzbequistão e Curaçao, essa última a menor nação em extensão territorial já classificada para uma edição do Mundial. É o maior número de debutantes desde 2006, quando seis equipes estrearam em Copas no torneio na Alemanha.
Com o aumento no número de seleções participantes, porém, outra consequência natural é uma provável redução no nível técnico dos confrontos, ao menos tendo como base o ranking de seleções masculinas da Fifa, elaborado desde agosto de 1993.
Com o aumento do número de participantes, o ranking médio das seleções classificadas à Copa do Mundo também subiu em relação às edições anteriores.
Para o Mundial que começa nesta quinta-feira (11), o ranking médio das 48 equipes é o 32,5º, com base na última atualização oficial da Fifa, em 1º de abril, antes das últimas rodadas dos amistosos preparatórios.
As seleções de pior ranking na Copa de 2026 são a da Nova Zelândia (85ª), que volta para sua terceira participação, após cair na primeira fase, sem nenhuma vitória, em 1982 e 2010, e a do Haiti (83ª), que retorna após a primeira e até então única participação, em 1974, quando acumulou três derrotas.
O pior confronto da primeira fase deve ser entre a estreante Cabo Verde, 67ª do ranking, e a Arábia Saudita, 61ª do mundo, chegando a um combinado de 128º.
A Copa de 1994, nos Estados Unidos, foi a última com 24 seleções, número adotado desde 1982. A edição que sagrou a seleção brasileira a primeira tetracampeã mundial também foi a que teve o melhor ranking médio, com base na colocação das equipes classificadas no início do torneio: 17º, aproximadamente.
A seleção de pior ranking da edição de 32 anos atrás era a da Bolívia, que ocupava na ocasião o posto de 43ª do mundo, em sua última participação em Mundiais desde então.
Além disso, o “pior confronto” daquela Copa do Mundo, considerando a soma dos rankings das equipes participantes, foi entre Bolívia e Coreia do Sul, com a seleção asiática na época ocupando o posto de 37ª do mundo, com um ranking somado de 80º.
A partir da Copa na França, em 1998, até a do Qatar, em 2022, o ranking médio passou a oscilar na faixa do vigésimo lugar, com o melhor patamar de 21,7º (em 1998 e 2002), e o pior de 26º, na África do Sul, em 2010.
Nas sete edições realizadas entre 1998 e 2022, a pior seleção que conseguiu se classificar, com base no ranking da Fifa, foi a da Coreia do Norte, então a 105ª do mundo em 2010 —os norte-coreanos marcaram apenas um gol na Copa disputada na África do Sul, na derrota por 2 a 1 para o Brasil, e sofreram 12, a maior parte na goleada por 7 a 0 contra Portugal.
O pior confronto da história das Copas aconteceu na da Rússia, em 2018, envolvendo os anfitriões, na época ocupando o posto de 70º do ranking, e a Arábia Saudita (67º).
Na última Copa, no Qatar, Gana era a seleção de ranking mais baixo (61º), e o pior confronto foi entre os anfitriões (50º) e o Equador (44º).
Esporte / Folha de São Paulo



