Justiça autoriza gestão Nunes a retomar área ocupada por clube de várzea no Campo de Marte

A Justiça de São Paulo autorizou nesta terça-feira (9) a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) a retomar a posse de uma área no Campo de Marte que é ocupada pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança.
A juíza Vanessa Velloso Silva Saad Picoli, da 9ª Vara da Fazenda Pública, autorizou, inclusive, o uso de força policial para reintegração e demolição das construções e benfeitorias feitas no espaço, de quase 15 mil metros quadrados. A desocupação poderá ocorrer a qualquer momento.
Picoli também determina que o clube desocupe o local, “sob pena de desocupação forçada” e a cobrança de multa diária, conforme decisão publicada nesta terça.
A Justiça já havia concedido autorização para a prefeitura em março, mas o Grêmio obteve uma liminar barrando a reintegração, em maio.
Fundado em 1958, o Cruz da Esperança lamentou nas redes sociais que poderá sofrer com uma demolição a qualquer momento e convocou a comunidade para uma vigília.
A vereadora Luna Zarattini (PT) protocolou um dossiê sobre a história do Grêmio no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) pedindo providências para “salvaguarda da capoeira e religiões de matriz africana”. A vereadora também mostra que o local organiza eventos, inclusive da igreja Católica.
Segundo ela, o Cruz da Esperança promove desde os anos 1970 jogos de futebol de várzea, bailes de samba-rock, rodas de samba, rodas de capoeira, atividades comunitárias religiosas diversas, em especial de matriz africana, e ações sociais diversas no Campo de Marte.
A área faz parte do projeto do Parque Municipal Campo de Marte, criado por um decreto de 2024. A gestão Nunes diz que o futuro parque terá área de 400 mil m² e deve atender cerca de 300 mil pessoas.
O contrato de concessão prevê investimento de R$ 202 milhões e inclui cinco campos de futebol, manutenção da prática de várzea, além de áreas multiuso e de convivência.
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Folha de São Paulo



