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Inteligência artificial substitui Polvo Paul nas previsões da Copa do Mundo

Em 2026, a inteligência artificial substitui as tradicionais previsões sobre a Copa do Mundo de futebol: ChatGPT e Claude apostam na Espanha. Na França, Le Chat, desenvolvido pela Mistral, escolhe os Bleus, e na China, DeepSeek e Qwen preveem o quarto Mundial da Argentina.

A Copa do Mundo de 2026 é a primeira em que o uso da IA está amplamente difundido, e torcedores de todo o mundo lançam suas perguntas sobre prognósticos do torneio da América do Norte, despertando o interesse da comunidade científica.

Essa tendência de se deixar guiar por previsões não humanas lembra o fenômeno da Copa de 2010, o Polvo Paul, que adivinhava resultados escolhendo entre dois aquários com comida, cada um deles com a bandeira de uma das equipes que se enfrentavam.

ChatGPT, o chatbot da OpenAI, foi lançado ao público em 30 de novembro de 2022, em meio à Copa do Mundo do Qatar, e, além dos especialistas do Vale do Silício, poucos usuários conheciam o potencial das IAs generativas quando a Argentina se sagrou campeã.

Quatro anos depois, até instituições como bancos ou universidades estão colocando à prova os conhecimentos futebolísticos das IAs.

Analistas do Bank of America descobriram que o chatbot do Microsoft, o Copilot, escolhia Espanha ou França. Por sua vez, o site de notícias de tecnologia Tom’s Guide perguntou ao Gemini (a IA do Google), ChatGPT e Perplexity, e em todos os casos obteve como resposta que a Espanha vencerá a Copa do Mundo, com a França como segunda opção também de forma unânime.

A Fúria ganhou seu único mundial em 2010, uma vitória que o Polvo Paul “anunciou”.

Outro site de notícias, Decrypt, obteve resultados semelhantes ao perguntar a chatbots ocidentais como ChatGPT e Claude, a IA da Anthropic. No entanto, ao perguntar às IAs chinesas como DeepSeek ou Qwen, descobriu que ambas escolhem a Argentina.

Resultados que despertam o interesse científico.

Pesquisadores da Unievrsidade Ludwig Maximilian, na Alemanha, tentam descobrir qual modelo será o mais preciso em suas previsões, avaliando a precisão de cada um deles em cada partida no site público LLM SoccerArena.

“Precisamos de pontos de referência que não apenas testem tarefas abstratas, mas como os modelos lidam com informações dinâmicas, com a incerteza e com resultados que podem ser verificados posteriormente” e comparados com o resultado real, declarou em um comunicado o pesquisador da LMU Stefan Feuerriegel.

Esses pesquisadores de Munique estão testando as previsões de IA baseadas em seu conhecimento interno e também em sua capacidade de integrar informações encontradas na internet sobre fatores condicionantes como lesões, convocações ou até mesmo quais previsões os mercados de apostas apresentam.


Esporte / Folha de São Paulo

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