‘A Embrapa é modelo para o mundo’

GR: A China vem tentando reduzir sua dependência de importações, e a África busca, há anos, desenvolver sua agricultura. O modelo descentralizado e de investimento público da Embrapa poderia se aplicar nesses países?
Moscona: Vejo claramente a Embrapa como um modelo mais global do que local. Na China, o governo passou a investir muito mais em inovação agrícola nos últimos anos, em um programa que em muitos aspectos se parece com o da Embrapa. Eles estão enviando pesquisadores a diferentes partes do país para trabalhar em colaboração com os agricultores, levando em conta costumes e condições locais.
A China, assim como o Brasil, é grande, ecologicamente diversa e com potencial agrícola inexplorado, em virtude da falta de tecnologia e inovação. Em vários países da África Subsaariana, também está claro que falta tecnologia. Alguns são ecologicamente parecidos com partes do Brasil e poderiam buscar transferência de tecnologia. Diferentes partes do mundo terão diferentes desafios e arranjos institucionais, mas há potencial enorme em aprender com o Brasil. Provavelmente não há grande benefício em criar outra Embrapa em um país ecologicamente semelhante a Brasil, Estados Unidos ou partes da Europa, mas pode haver retornos enormes em um lugar diferente.
Globo Rural

