A bagunça e a imprecisão nas narrações da Copa

Este tema é mais para o colega colunista Mauricio Stycer, tremendo analista de tudo o que se passa na TV e nos streamings. Mas, como envolve a Copa do Mundo, decidi me meter.
Deparei-me no YouTube com um vídeo de quase 38 minutos que mostra jogadores de cada uma das 48 seleções desta Copa do Mundo falando o próprio nome. Esclarecedor.
Não fiquei surpreso ao notar que alguns nomes se pronunciam distintamente do modo como são escritos. Isso é natural, cada idioma tem suas peculiaridades, com bastante diversidade.
O que me surpreende é a falta de preparo, talvez de interesse, dos narradores brasileiros em pronunciar corretamente o nome de cada atleta.
A Copa é a competição de futebol mais importante do planeta, acontece só de quatro em quatro anos, e há erro seguido de erro, jogo a jogo, na pronúncia dos protagonistas do espetáculo.
Assisti a Inglaterra 0 x 0 Gana. Fiquei variando entre Globo (Renata Silveira), SBT (Tiago Leifert), CazéTV (Fernando Nardini) e Ge TV (Marcelo Ferrantini). Cada qual entregava ao espectador pronúncias específicas.
O exemplo mais extremo é o do inglês Guéhi. Renata falava Gué-rri. Leifert, Gu-ê-rri. Nardini, Gue-í. Ferrantini, Guê-rri. Nenhum acertou, estando alguns bem longe do correto, que, afirma o jogador, é Guêi.
Do lado ganês, a bagunça persistia. O capitão da equipe africana é Jordan Ayew. Na pronúncia de Renata, o sobrenome é Aiê; na de Nardini, também; na de Leifert, Aiú; na de Ferrantini, Ái-ê-u. No vídeo, Ayew esclarece: é Aiú. Ponto para Leifert desta vez.
A dificuldade em acertar é grande, e é notável a diferença de uma emissora para outra. Mesmo em transmissões do mesmo grupo (Globo e Ge TV), nomes não batem, como na pronúncia de Asare, goleiro de Gana. Para Renata, Azarrê; para Ferrantini, Assári –nada mais distinto. Leifert dizia Azári, e Nardini, Azáre. Só Ferrantini acertou.
E por aí vai. Padronização zero. Uma anarquia linguística. Para os espectadores, em sua maioria, tanto faz. Os incomodados seriam os atletas, que não ouvem as anomalias proferidas por nossos narradores.
Você gostaria que falassem seu nome ou sobrenome errado, mesmo sendo um estrangeiro a falar? Eu, não. Luís é Luís, não Lúis, e Curro é Curro, e não Cu-rôu, como me chamam falantes da língua inglesa.
Entendo que há dificuldade, há sons não habituais em certos idiomas, mas com treino dá para desenrolar a língua. Para o “rr”, basta usar o som de “home” (casa): o “ho” fala-se “rô”. Resolvido (no meu caso).
Voltando à Copa, há ainda a falha de pronúncia consagrada. Convencionou-se que se deve dizer De Bruyne, craque belga, como é escrito: Debrúine. E não é. É Debrãn. Reconheço ser estranho mudarem depois de tantos anos. Mas deveriam.
O mesmo acontece com o holandês Van Dijk, um dos melhores zagueiros do mundo. Não é Vandáik. É Fandêi. Para resolver, basta chamá-lo pelo nome: Virgil, que é como ele prefere e como está na camisa. Mas atenção na pronúncia: Vírdil, não Vírjil.
Em relação a De Bruyne e Van Dijk, nada será mudado. Porém, pensando no todo, e considerando que o estudo dos narradores antes das partidas deve ser minucioso, deveria haver menos erros.
Ouçam. Aprendam. Falem. Corretamente.
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Esporte / Folha de São Paulo



