Tecnologia

Apple aumenta preços de MacBook e iPad em 20%

A Apple aumentou o preço dos MacBooks e iPads em cerca de 20% em todo o mundo, em um dos maiores reajustes de sua história. A fabricante do iPhone atribuiu a alta à escassez de chips de memória causada pelo boom da infraestrutura de inteligência artificial.

A empresa afirmou nesta quinta-feira (25) que o setor de tecnologia de consumo enfrenta um “desafio sem precedentes”, com os preços de memória subindo tão rapidamente que seria necessário repassar os custos aos clientes.

O CEO, Tim Cook, havia alertado na semana passada que aumentos de preços neste ano seriam “inevitáveis” devido ao custo “insustentável” de memória e armazenamento.

A empresa ainda não elevou os preços do iPhone, o campeão de vendas da Apple que ainda responde por cerca de metade de sua receita.

“A rápida expansão dos data centers de IA criou um aumento extraordinário na demanda por memória e armazenamento”, disse a Apple. “Sabemos que esta não é uma notícia bem-vinda, e estamos trabalhando incansavelmente para encontrar soluções.”

A decisão de aumentar substancialmente o custo de toda a sua linha de laptops e tablets provavelmente vai inquietar os investidores. As ações da Apple fecharam o dia com queda de 6,12% nos EUA.

Historicamente, a Apple anunciava aumentos de preços direcionados com o lançamento de novas gerações de dispositivos, frequentemente limitando-os a modelos específicos ou descontinuando modelos mais baratos. Um aumento uniforme de preços da noite para o dia em duas grandes linhas de produtos é raro para a Apple.

Os preços em toda a linha de iPads e MacBooks da Apple subiram na faixa de 20%. O MacBook Air de 512GB, por exemplo, passou de US$ 1.099 (R$ 5.690) para US$ 1.299 (R$ 6.725), enquanto o iPad Pro de 256GB foi de US$ 999 (R$ 5.172) para US$ 1.199 (R$ 6.207). O MacBook Neo, laptop de menor custo da Apple lançado em março, teve um salto de 25%, de US$ 599 (R$ 3.101) para US$ 749 (R$ 3.877).

No Brasil, o MacBook Air sai a partir de R$ 15.999 na loja oficial da Apple. O MacBook Neo fica a partir de R$ 8.499 e o iPad Pro a partir de R$ 16.999.

“Até agora, a Apple conseguiu proteger os clientes absorvendo grande parte dos aumentos de custos [de memória e armazenamento], que continuam subindo para níveis sem precedentes”, observou a Apple nesta quinta.

Segundo a própria Apple, a crise de memória desencadeada pelo boom da infraestrutura de IA está se mostrando mais disruptiva para sua cadeia de suprimentos do que qualquer outra crise nos últimos anos.

A Apple desafiou as expectativas de que aumentaria os preços no final do ano passado, após a guerra tarifária do presidente Donald Trump. Também evitou aumentos de preços durante a pandemia de Covid-19, que levou ao fechamento por meses dos enormes complexos fabris da Foxconn, fornecedora da Apple na China.

A fabricante do iPhone se junta a uma lista crescente de empresas de tecnologia de consumo que aumentaram os preços de seus produtos citando a escassez de memória neste ano. Dell, HP, Lenovo e Asus já sinalizaram aumentos de preços semelhantes, enquanto a Samsung elevou o preço de dois modelos de seu novo smartphone S26 nos EUA em US$ 100.

Investidores têm questionado cada vez mais como a Apple, a marca de eletrônicos de consumo mais valiosa do mundo, vai lidar com a disparada dos preços de memória DRam e Nand.

Seus esforços para internalizar mais a produção de chips, e sua capacidade como cliente dominante de pressionar outros fornecedores em sua cadeia, foram vistos como formas potenciais de compensar o impacto sem repassar os custos aos consumidores.

O mercado de DRam é dominado pela americana Micron e pelas sul-coreanas SK Hynix e Samsung. As três ultrapassaram avaliações de US$ 1 trilhão neste ano. Com capacidade de fabricação limitada, as três principais fornecedoras passaram a priorizar memória de alta largura de banda em detrimento da memória tradicional para consumidores.

A Apple tem explorado a opção de recorrer aos fornecedores chineses de memória YMTC e CXMT, mas já enfrentou resistência pública de formuladores de políticas dos EUA, incluindo o atual secretário de Estado Marco Rubio, que alertou sobre riscos de segurança em 2022.

Um estudo do Morgan Stanley neste mês constatou que os preços de memória aumentaram seis vezes no último ano, com a nova capacidade de fabricação levando “anos para ser construída, qualificada e ampliada”. O estudo afirmou que essa “chipflação” é resultado direto dos hyperscalers de IA (empresas como Google e Amazon) expulsando compradores tradicionais do mercado de memória para consumidores.

Neste ano, analistas do JPMorgan estimaram que DRam e Nand passarão de cerca de 10% a 15% do “custo total de materiais” dos componentes de um iPhone para mais de 45% até 2027.

A Apple ainda conseguiu aumentar a margem de seus produtos de hardware no trimestre de março, subindo para 38,7% em comparação com 35,9% no ano anterior. A empresa reportou US$ 29,6 bilhões em lucros totais no trimestre.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo