Política

Marco Rubio envia carta a Flávio Bolsonaro para reafirmar tarifas dos EUA contra o Brasil

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para reforçar a posição dos Estados Unidos sobre a possibilidade de impor novas tarifas contra o Brasil. O documento, enviado na última terça-feira 23 e divulgado hoje, foi uma resposta ao parlamentar brasileiro, que havia mandado uma primeira correspondência no início deste mês a Rubio, pedindo que os americanos não tarifassem os brasileiros.

Rubio destaca que o governo de Donald Trump acredita que o Brasil adota políticas que prejudicam a economia americana, incluindo na lista: comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos (o Pix), tarifas preferenciais consideradas injustas, aplicação das leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Por causa disso, o secretário americano reforça que eles realizarão uma consulta pública sobre a questão, e afirma que “qualquer parte interessada no Brasil poderá participar” para expor seus argumentos contrários ao suposto prejuízo aos americanos.

A consulta pública tratará justamente das novas tarifas como forma de sancionar o Brasil. Uma audiência pública deve acontecer logo em seguida, e já está marcada para ocorrer no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos em 6 de julho.

PCC e CV como terroristas:

Marco Rubio também agradeceu a Flávio Bolsonaro na carta pelo apoio à medida dos Estados Unidos de passarem a considerar as maiores facções brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas.

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“Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao atingir suas redes financeiras, de tráfico de drogas e de armas, estamos adotando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano contra o crime organizado transnacional”, disse o americano.

A questão gerou forte oposição dos apoiadores do governo Lula, sob o argumento de que a medida abre espaço para uma intervenção militar americana no Brasil sem que haja cooperação ou informação às autoridades nacionais.

Leia a carta na íntegra:

Prezado Senador Bolsonaro,

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Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer alicerçada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Agradeço profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras, nos termos da legislação dos Estados Unidos. Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao atingir suas redes financeiras, de tráfico de drogas e de armas, estamos adotando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano contra o crime organizado transnacional.

Como o senhor observou, o Embaixador Jamieson Greer, Representante Comercial dos Estados Unidos, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são injustificados ou discriminatórios e impõem ou restringem o comércio dos Estados Unidos. Ele propôs medidas de resposta para consulta pública. Essa determinação e as medidas propostas decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação específica do Presidente Trump.

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O Embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Essas questões dizem respeito ao comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais consideradas injustas, aplicação das leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Qualquer parte interessada no Brasil poderá participar do período de consulta pública sobre as medidas propostas e da audiência pública que será realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos em 6 de julho de 2026. O período de consulta pública permanecerá aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participar da audiência deveriam ter sido apresentados até 22 de junho de 2026.

Os Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para promover um amplo, justo e mutuamente benéfico marco de comércio e investimentos.

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Aguardo com expectativa a continuidade de nosso diálogo e o fortalecimento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações. Que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.

Atenciosamente,

Marco Rubio

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