Política

O duelo que decidirá o destino do escândalo do Banco Master

Sob investigação da Polícia Federal, o escândalo do Master já atingiu reputações, carreiras políticas e projetos eleitorais e tem potencial para provocar estragos ainda maiores. Acusados de receber vantagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Jaques Wagner (PT) foi obrigado a deixar o cargo de líder do governo no Senado, enquanto o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) desistiu de concorrer ao Senado em outubro.

Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) também perdeu pontos importantes nas pesquisas depois de o Intercept Brasil divulgar mensagens nas quais ele pede 134 milhões de reais a Vorcaro para supostamente financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Além de expor autoridades do Legislativo e do Executivo, o caso arranhou a imagem de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF descobriu que um fundo ligado ao esquema do Master fechou um negócio milionário com uma empresa da família do ministro do STF Dias Toffoli, que se manteve como relator do caso até a transação vir a público. A PF também descobriu que banco contratou o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes por mais de 130 milhões de reais — e que Vorcaro trocou mensagens com o magistrado um dia antes de ser preso pela primeira vez. A névoa de suspeita encobre os Três Poderes.

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Operação-abafa

Diante do suposto envolvimento de tanta autoridade poderosa, deu-se a reação de sempre: uma tentativa de abafar as investigações. O embate, antes restrito aos bastidores, passou a ser travado publicamente. Numa sessão recente do STF, o ministro André Mendonça, relator do caso Master, declarou ter recebido de um advogado uma proposta de delação premiada seletiva, que ele teria rechaçado.

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Decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes — autor da tese de que a crise não é do Judiciário, mas da Faria Lima, e defensor da dupla Dias Toffoli e Alexandre de Moraes — aproveitou a deixa para declarar que Mendonça cometeu um erro crasso ao tratar da colaboração com o advogado, o que seria proibido por lei. Mendes também já reclamou das prisões decretadas, que seriam uma forma de garantir a confissão de crimes pela via da tortura psicológica, e não espontaneamente, como determina a legislação.

André Mendonça declarou que há uma operação em curso para semear nulidades no processo e salvar os implicados nas falcatruas de Vorcaro. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Mendes foi perguntado se a possibilidade de delação do ex-banqueiro já não era uma página virada, por envolver tantos poderosos, de ministros do STF a líderes do Congresso. “No atual momento, parece que você tem razão, mas as coisas podem mudar”, respondeu o decano. O duelo está só começando.

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