Exportações de gengibre do Espírito Santo aumentaram 10% no primeiro trimestre


No primeiro trimestre deste ano, o Espírito Santo exportou 1,9 milhão de toneladas de gengibre, um aumento de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, o valor chegou a US$ 3,3 milhões, uma alta de 17,4% sobre o primeiro trimestre de 2025.
Os Estados Unidos, tradicionalmente, o maior importador do gengibre capixaba neste período e o segundo maior durante todo o ano, ficou com 1,042 milhão de toneladas ou 55,16%, seguido por Países Baixos (11,97%) e Argentina (9,79%). O gengibre mais demandado pelos americanos nos primeiros meses do ano é o chamado “ginger baby”, que segue por via aérea.
O produto é colhido precocemente, tem sabor mais suave e fresco e exige mais atenção que o gengibre maduro porque seu tempo de armazenamento é mais curto – daí a necessidade de ser enviado por avião. Em média, o baby representa cerca de 8% das exportações anuais de gengibre do Espírito Santo, maior produtor e exportador nacional.
No ano passado, mesmo impactado pelo tarifaço americano, o Estado enviou ao exterior 28,6 milhões de toneladas, com receita de US$ 40,4 milhões. Em volume, o aumento foi de 8% e em divisas, 10,89%, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (SEAG), com base nos números do Sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura.
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Frederico Peruzzo Stuhr, da Pommer Fresh Foods, empresa brasileira sediada nos EUA e especializada na comercialização de gengibre fresco, disse que neste ano os americanos reduziram as compras do ginger baby brasileiro de 20% a 30% porque tinha muita mercadoria barata de outros países no mercado. Frederico é filho de Wanderley Stuhr, chamado de “rei do gengibre” no Espírito Santo por ser grande produtor, ter parceria com muitos outros, e ser o maior exportador do rizoma.
O engenheiro agrônomo Galderes Magalhães, extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), também diz que houve queda no envio do tipo baby neste ano, mas aumentou o volume exportado porque muitos produtores deixaram o gengibre maduro na terra no ano passado para enviar de avião no início deste ano e aproveitar os bons preços.
Segundo Galderes, o produtor não recebe mais pelo tipo baby, mas o produto sai mais caro para o importador, que precisa bancar o transporte aéreo. O ginger baby tem uma qualidade superior e é melhor para a produção de geleias por ter menos fibras e ser menos picante.
A partir deste mês, as exportações do gengibre maduro passam a ser feitas majoritariamente por navio, tendo como principal destino a Europa.
Globo Rural



