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Entenda a doença vivida em segredo por Virginia Fonseca durante a gestação

A maternidade idealizada pelas redes sociais frequentemente esconde dores profundas e silêncios dolorosos. Recentemente, Virginia Fonseca pegou o público de surpresa ao revelar, em suas redes sociais, que enfrentou um quadro de depressão gestacional durante a gravidez de sua primeira filha, Maria Alice.  De acordo com o relato da influenciadora, a gestação aconteceu logo no início do relacionamento com o cantor Zé Felipe. A notícia inesperada trouxe um choque inicial. “Foi aí que minha mãe foi para Goiânia, porque eu estava realmente vivendo uma depressão. E ninguém sabia. Eu continuei postando tudo normal nessa época da gestação”, desabafou Virginia.

Virginia Fonseca e a depressão gestacional: O conflito da maternidade real

A influenciadora explicou que viveu um doloroso conflito interno ao descobrir a gravidez. A princípio, o seu sentimento foi de que não queria ser mãe naquele momento. Como resultado, Virginia passou a se culpar intensamente por pensar dessa forma, já que, no fundo, também sentia a cobrança interna de já ser mãe. Essa culpa gerada pela cobrança social é um gatilho perigoso.

Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto Materno-Infantil de Psicologia Perinatal, é fundamental desmistificar a ideia de que a gestação é feita apenas de momentos felizes. Afinal, existe uma adaptação emocional esperada na maternidade. No entanto, a especialista aponta que a linha vermelha é cruzada quando a mulher perde a energia para maternar. Dessa forma, deixa de achar graça nas coisas que antes lhe davam alegria. Sinais como tristeza profunda, isolamento, culpa e irritação excessiva indicam que a adaptação normal deu lugar ao adoecimento.

Para Virginia Fonseca, o cenário mudou significativamente durante o chá revelação, ao descobrir que esperava uma menina. Ela descreveu o momento como uma “virada de chave” emocional. O entusiasmo pela maternidade retornou. Em entrevistas anteriores concedidas à revista Marie Claire em 2021, ela já havia admitido dificuldades emocionais no início da gestação causadas por mudanças corporais e pela forte cobrança estética, declarando-se “muito doente por perfeição”.

Pressão estética e a negação da gravidez não planejada

A dificuldade inicial para aceitar a gravidez vivida por Virginia Fonseca é uma realidade estatística no Brasil. Conforme explica a psicóloga Rafaela Schiavo, mais de 55% das gestações no país não são planejadas. Muitas mulheres engravidam em momentos profissionais ou pessoais desafiadores. Por isso, a profissional defende que o chamado “instinto materno” não existe na biologia, sendo o amor materno uma construção puramente social.

O peso da imagem perfeita e traumas anteriores

Além disso, a pressão estética e a cobrança por um corpo perfeito pós-parto funcionam como grandes gatilhos para o sofrimento psicológico. De acordo com a especialista, ver mulheres famosas exibindo a forma física rapidamente nas redes sociais gera uma exigência irreal nas mães. Schiavo ressalta que exercícios físicos ajudam na prevenção da ansiedade, mas não substituem o papel do psicólogo perinatal caso a busca pelo corpo idealizado vire uma cobrança estressante.

A profissional também vincula a negação ou o medo severo da gestação a traumas passados. Mulheres que vivenciaram violência obstétrica ou perdas fetais anteriores podem desenvolver bloqueios severos. Inclusive, algumas chegam a manifestar a tocofobia, que é o medo irracional e fóbico de engravidar e parir.

Como identificar os sinais de alerta e buscar apoio especializado

O choque entre a maternidade real e a idealizada é um dos principais fatores de risco para transtornos como ansiedade, estresse e depressão. Quando a sociedade cobra uma felicidade plena e reage com parabéns automáticos, a gestante que não planejou a gravidez se sente ainda mais culpada e insuficiente.

Conforme orientação da psicóloga Rafaela Schiavo, o círculo de apoio deve ficar extremamente atento a mudanças significativas de comportamento da gestante, tais como:

  • Irritação e medo excessivos;

  • Tristeza, choro frequente e sentimentos profundos de culpa;

  • Vontade de se isolar e evitar o contato com outras pessoas;

  • Perda de interesse por atividades que antes traziam alegria;

  • Falar repetidamente e de forma excessiva sobre a mesma preocupação.

Por fim, a especialista alerta que não se deve esperar os sintomas se agravarem para buscar ajuda. Como mais da metade das mulheres apresentam algum problema de saúde mental na gestação, o ideal é realizar uma avaliação com um psicólogo perinatal ao longo do pré-natal, ou, se possível, iniciar o acompanhamento terapêutico antes mesmo de engravidar.

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