Moda ofusca futebol em transmissão de jogo entre Brasil e Japão na Copa

Para quem veio pensando no look fashionista, talvez o resultado do mata-mata entre Brasil e Japão na Copa não tenha feito tanta diferença.
As corridas de cavalo gratuitas no Jockey Club de São Paulo aos finais de semana deram espaço à transmissão do Mundial, com ingressos que chegaram a R$ 1.000 nesta segunda (29).
Na entrada, carros da BMW e Porsche davam o tom de como seria o evento. A exibição do confronto entre as seleções brasileira e japonesa foi promovida pelo restaurante Jockey Society, administrado pelo grupo PHD, em parceria com o camarote Torcida N°1.
O evento teve um telão montado na área externa, próxima à pista hípica. Na lateral esquerda, “banheiros móveis de luxo” estavam à disposição do público.
No último lote, as entradas custavam de R$ 800, para mulheres, a R$ 1.000, para homens. O tíquete incluía open bar com cervejas —Stella Artois, Brahma e Budweiser—, drinques e energéticos. O que dominou os pedidos foi o gim tropical.
As comidinhas eram cobradas à parte. A porção de batata frita saía por R$ 35. Fatias de pizza, de R$ 29 a R$ 35, estavam disponíveis em sabores como muçarela, marguerita e toscana.
Na recepção, camisetas azuis com a logo da Colcci, parceira do camarote Torcida N°1, eram distribuídas aos torcedores. Foram elas que uniformizaram a maior parte da torcida na arquibancada.
Também pipocaram algumas camisas amarelas da seleção e até uma da equipe de F1 Aston Martin —podia ser válida, era verde.
Para customizar a camiseta azul, o público tinha um espaço dedicado à personalização. Por lá, era possível transformar a peça em cropped ou mudar o decote para um modelo frente única, adicionar strass e franjas, por exemplo. A fila cheia seguiu mesmo enquanto a bola rolava.
Para combinar, mulheres escolheram calças com muito brilho e pedrinhas, saias com paetê e óculos de sol. Cabelos escovados, saltos altos e blush também não faltaram. Homens optaram pelo clássico: calça jeans e tênis.
O futebol nem sempre era o principal assunto do evento. Muitas das pessoas ouvidas pela reportagem disseram acompanhar a modalidade apenas durante a Copa.
No primeiro tempo, as reações foram mais contidas. Com o gol do Japão, parte do público xingou o time asiático.
O jogo seguiu e alguns torcedores estavam olhando para as telas dos seus celulares. Matheus Cunha tentou chutar aos 37 minutos, mas foi fraco, o que arrancou um “ahhh” da torcida.
O empate, com gol de Casemiro, no segundo tempo foi bastante celebrado e teve cerveja jogada para cima.
Os minutos seguintes foram de tensão com muitos dedos entrelaçados. Com o segundo gol, marcado por Martinelli, fãs respiraram aliviados e gritaram acreditar no hexacampeonato.
Os acréscimos, previstos para o período de seis minutos, estenderam-se e foram criticados com braços abertos em gestos de inconformismo.
No apito final, mais uma comemoração com gritaria e abraços: a classificação do Brasil para as oitavas. Na próxima etapa do mata-mata da Copa, no domingo (5), a seleção canarinho enfrenta o vencedor da disputa entre Costa do Marfim e Noruega, nesta terça-feira (30)
Nos camarotes, até champanhe foi estourado na celebração. A transmissão mostrava a eliminação da seleção japonesa, que deixa o Mundial, e tocava o axé “Arigatô Sayonara” (obrigado, adeus), sucesso do É o Tchan.
A trilha, com torcedores cantando, embalou a festa no Jockey Club, que ainda receberia o cantor Henry Freitas.
Esporte / Folha de São Paulo



