PF deflagra nova fase da operação contra líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante

A Polícia Federal deflagra nesta quarta-feira, 1º de maio, a terceira fase da Operação Rent a Car, batizada de Galho Fraco II, para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos de cotas parlamentares. A ação mira empresários ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, em mandados cumpridos no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. O parlamentar, que já foi alvo em etapa anterior, não está entre os visados nesta fase e afirmou não ter conhecimento da operação, prometendo se manifestar oportunamente.
O que aconteceu
- A Polícia Federal deflagra a Operação Galho Fraco II, terceira fase da Rent a Car, para apurar desvio de cotas parlamentares.
- Empresários ligados ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) são alvos de buscas e apreensões em três estados.
- Agentes da PF encontram dinheiro em espécie escondido em um objeto decorativo, simulando um livro falso, no endereço de um advogado.
Os alvos desta fase são três pessoas físicas — empresários — e duas pessoas jurídicas relacionadas. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, os envolvidos teriam apresentado um contrato falso para tentar justificar transações financeiras consideradas suspeitas. Não há assessores do deputado na Câmara dos Deputados entre os alvos desta etapa da operação.
Por que a PF intensifica as buscas?
Durante o cumprimento dos mandados, agentes da Polícia Federal encontraram dinheiro em espécie escondido dentro de um objeto decorativo que simula um livro falso. A descoberta ocorreu no endereço de um advogado ligado ao deputado Sóstenes Cavalcante, no Distrito Federal, levantando novas suspeitas sobre a origem dos recursos.
A investigação desta fase tem como um de seus objetivos primordiais aprofundar a apuração da versão do deputado federal sobre os R$ 470 mil em dinheiro vivo que foram encontrados em um endereço a ele ligado. Esse montante foi descoberto durante a segunda fase da Operação Rent a Car, realizada em dezembro do ano passado. Naquela ocasião, Cavalcante havia alegado que os recursos tinham origem na venda de um imóvel, explicação que a Polícia Federal, no entanto, suspeita ser inverídica.
As diligências realizadas nesta quarta-feira também visam a verificar indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas. Tais ações, caso confirmadas, poderiam caracterizar o crime de fraude processual, adicionando uma nova camada de complexidade às acusações já existentes contra os envolvidos.
Qual o histórico da Operação Rent a Car?
A Operação Rent a Car teve seu início com diligências focadas em assessores vinculados a parlamentares. O escopo da investigação se expandiu significativamente em dezembro de 2023, quando uma fase mirou diretamente os próprios deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ). Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão sob a suspeita de desviar recursos oriundos de cotas parlamentares.
O suposto esquema envolvia a utilização de empresas de fachada, entre elas uma locadora de veículos, com o objetivo de conferir uma aparência de legalidade ao desvio de verba pública. A cota parlamentar é um valor mensal fornecido pelo orçamento público a deputados e senadores, destinado a cobrir despesas inerentes ao mandato, como passagens, hospedagens, alimentação, manutenção de escritórios e contratação de consultorias — constituindo um recurso adicional ao salário dos parlamentares.
De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar o orçamento e ocultar a origem ilícita do dinheiro. Os crimes que estão sendo investigados na operação incluem peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, apontando para uma complexa rede de atividades ilegais.
IstoÉ



