Após depressão e paralisia, cantora de 32 anos encontra refúgio longe da rotina exaustiva em grupo com irmãos

A vida sob os holofotes esconde desafios que o público não costuma ver. Uma cantora pop brasileira, ex-vocalista de um trio musical famoso, escolheu manter em segredo uma condição que paralisa um lado do rosto. O objetivo era não preocupar seus admiradores após um diagnóstico recebido em junho de 2024. À CNN Brasil, a artista explicou os momentos de incerteza com a doença: “Eu tive que cancelar minha turnê e no início a gente não sabia muito bem o que era. Depois, sabíamos que era uma paralisia de Bell, mas não o que estava causando”. Após um mês de tratamento e um retorno muito rápido ao trabalho, o problema voltou. Isso forçou a adoção de uma rotina de shows mais calma e espaçada.
Essa paralisação obrigatória não foi o primeiro aviso do corpo. A carga exaustiva da indústria já havia deixado outras marcas. Durante o período de maior exposição do seu antigo grupo, o volume de trabalho envolvia uma média de 25 shows mensais, além de entrevistas e campanhas publicitárias. Em uma longa conversa com a revista Quem, a artista detalhou os impactos desse ritmo no seu bem-estar. Em 2020, o cansaço extremo quase a fez perder a vibração da corda vocal direita. A saúde mental também foi afetada. Ela passou por episódios de depressão e lidou com um distúrbio alimentar, explicando que a rotina de viagens e a adrenalina dos palcos dificultavam o sono e a alimentação básica: “Tudo desregula”.
Hoje, aos 32 anos, aquela mesma jovem que nasceu em Niterói e começou a vida artística aos 15 cantando samba de raiz, encontrou um novo ritmo de vida. É neste cenário de busca por saúde e equilíbrio que a dona da voz de sucessos como Meu Abrigo reconecta sua história. Estamos falando de Gabriela de Paula Pontes Melim, a Gabi Melim. A cantora e compositora agora trilha seu próprio caminho na música após o encerramento da banda que mantinha em família, uma pausa que aconteceu no final de 2023.
O término amigável de uma era
A decisão de colocar um ponto final no trabalho em conjunto com os irmãos ocorreu de maneira orgânica, após oito anos de estrada e indicações ao Grammy Latino. De acordo com informações publicadas pelos portais R7 e Rolling Stone, os integrantes deixaram claro que a escolha não teve relação com conflitos financeiros ou brigas.
O comunicado oficial destacou o peso do afeto entre eles: “Tem uns 2 anos que a gente vem conversando sobre isso, com bastante calma, porque sabemos da nossa responsabilidade (…) e principalmente porque somos uma família antes de tudo“.
Gabi também registrou sua gratidão: “Esse foi nosso último show como banda, mas sigo respirando música e agora construindo uma nova etapa”.
O caminho do autoconhecimento
Atualmente, o foco da carreira solo caminha junto com os cuidados emocionais. O novo projeto audiovisual da cantora, intitulado Escapismo, lançado em maio de 2026, reflete justamente a necessidade de pausa. Ainda em sua declaração à revista Quem, Gabi explicou que as duas ocorrências de paralisia facial não tiveram origem viral.
O quadro foi resultado direto de estresse e ansiedade. “Acho que o capitalismo faz isso com a gente. Existe essa ideia de que precisamos ser produtivos a qualquer custo. Mas a gente acaba escapando da gente mesmo. Acaba se desconectando”, analisou a artista.

Priorizando a paz de espírito
O novo álbum de Gabi mistura do baião ao samba, gêneros que formaram sua base. Diferente dos trabalhos passados, a intenção agora é aproveitar cada etapa criativa sem cobranças irreais.
A terapia e a observação pessoal trouxeram amadurecimento para lidar com as expectativas do público. “Hoje me sinto muito livre. Livre como mulher, livre artisticamente e emocionalmente também”, afirmou a cantora.
Ao avaliar seu futuro, a prioridade é direta: “Quero realizar meus sonhos, mas quero curtir as etapas. Durante muito tempo, só trabalhei. Agora eu quero viver o processo também”.
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