Ex-Paquita Ana Paula Almeida perdeu 22 kg após perceber algo que a deixou constrangida

A ex-Paquita Ana Paula Almeida revelou que o ponto de virada para eliminar 22 kg aconteceu após assistir ao documentário das Paquitas, do Globoplay. Ao se ver na tela, a ex-assistente de palco de Xuxa percebeu que havia engordado muito mais do que imaginava. A partir dali, iniciou um tratamento que transformou não apenas seu corpo, mas também sua relação com a comida e a própria autoestima.
A estrela buscou acompanhamento médico e conseguiu eliminar mais de 22 kg com o auxílio da médica nutróloga Tatiana Jaber, que fez um protocolo personalizado para Ana Paula, levando em consideração o seu perfil e seus exames. “O mais importante é entender que emagrecer não precisa ser um sofrimento. Quando o tratamento é personalizado e baseado em ciência, conseguimos controlar os fatores que dificultam a perda de peso e oferecer ao paciente condições para alcançar resultados consistentes e duradouros“, disse a doutora.
Em entrevista exclusiva na CARAS Brasil, Ana Paula Almeida contou a motivação para iniciar o processo de emagrecimento, a mudança em sua rotina, as adaptações que precisou fazer, o momento em que pensou em desistir e como está a sua autoestima hoje em dia, depois de atingir seu objetivo. Confira:
A decisão de mudar de vida e buscar o emagrecimento
-Em que momento você percebeu que precisava iniciar o seu processo de emagrecimento e mudança no estilo de vida?
Ao longo da minha vida pública, sempre tive problema com a balança. Até para entrar com Paquita, tive que emagrecer à pedido da Marlene, que me deu 2 meses de prazo. Eu emagreci 5 kg em 15 dias. Mas, ultimamente quando eu vi o documentário das Paquitas e me vi em telão junto com todo mundo que fez parte do meu passado, eu fiquei constrangida com o meu tamanho. Não imaginei que eu estava tão grande. Quando a gente engorda, a gente não percebe o quanto está engordando. E eu fiquei um bom tempo depois do processo de emagrecimento do Além do Peso, em 2015, magra, mas engordei de 2018 para cá, depois da minha separação, e não percebi o quanto tinha engordado. Foi ali que percebi que eu precisava correndo de ajuda para emagrecer.
-O que você fez para emagrecer?
Eu sabia que eu precisava mudar hábitos e um dos meus principais hábitos era compulsão por doces. Comia chocolate quase uma barra todos os dias. Aquela gordura tava me fazendo muito mal. Eu tava muito inflamada. Então me submeti à equipe da Dra. Tati e fiz absolutamente tudo que eles me pediram. Eu criei o hábito de ir academia todos os dias, tomar shot de manhã para desinflamar, suco detox, não passar de 3 horas sem comer para o meu metabolismo não desacelerar, dormir com o relógio para mostrar como foi o meu sono porque eu tava dormindo muito ruim. Quando você dorme mal, você não tem um processo bom de emagrecimento, você não consegue emagrecer.
-Você fez uso de medicamentos?
– A Dra. Tatiana Jaber me passou medicamento, só que ela optou por tirzepatida, em uma dose bem fraquinha, e com auxílio de um medicamento para ansiedade, também em dosagem baixa. Ficamos assim por 8 meses, foi quando eu perdi os 12 primeiros quilos com suplementos, porque eu estava com baixa de ferro, com algumas vitamina baixas. Então, ela repôs tudo. Fiz várias sessões de soroterapia de infusão, que chamam de injetáveis para emagrecimento, para aumento de massa muscular com coisas naturais. Foram coisas para aumento de massa e queima de gordura, aceleramento meu processo metabólico, porque tenho questões na tireoide e meu metabolismo é muito lento. O que vocês processam em horas, eu processo em dias.
Os desafios do processo de emagrecimento
-Qual foi o maior desafio durante o processo de emagrecimento?
– As minhas compulsões. Eu precisei de medicamento porque eu sozinha não dei conta. Agora vou tirando devagar até para ver se eu consigo dar conta. Acredito que para o meu corpo estar com menos inflamações, com menos gordura, é mais fácil por ter mais hábitos saudáveis agora. Eu nunca fui de comer muita gordura e fritura. Tanto que todo mundo sempre falou que meu colesterol é de atleta, mas eu tinha compulsão por açúcar. Então isso para mim vai ser ainda mais difícil. E sempre foi em todo o meu processo de emagrecimento, tanto que eu pedia para elas me liberarem o chocolate de 80%. Eu quebrava em quadradinhos pequenininhos e dia sim, dia não, eu comi um quadradinho, que foi liberado na minha dieta. Outro desafio foi trabalhar minha mente para sair, porque eu faço muito evento público, vou a restaurantes e via as pessoas comerem o que eu sempre amei comer. E antes eu comia não pensando no amanhã, não pensando nos trabalhos, nem no meu corpo. Hoje eu já penso na imagem que eu quero refletir, na história que eu construí com a minha vida. As pessoas que se espelham em mim, tanto na minha resiliência quanto na minha disciplina. Isso foi muito difícil durante o processo de emagrecimento, mas hoje eu consigo ver qualquer pessoa comendo qualquer coisa e e minha cabeça trabalhada para não cair em tentação.
-Hoje, você se enxerga de uma forma diferente?
– Hoje eu vejo o emagrecimento de uma forma diferente. Sabe, antigamente eu via como um braço do meu trabalho, né? Era na minha cabeça que uma Paquita tinha que estar magra. Era uma exigência da Marlene, era uma coisa que era inegociável. Quando eu saí, eu achei que eu fosse relaxar e poder engordar e poder viver minha vida. Eu não fiquei magra, fiquei bem e tudo bem. Quando eu perdi minha mãe, que eu me separei, comer era uma fuga para mim. Quando eu trabalhei essa fuga com o psicólogo, eu descobri que era um vazio que estava dentro de mim, que eu precisava ressignificar e não me punir. Eu me sabotava com a comida, né? Eu me punia com a comida. E hoje ainda, acho que até meu último reganho de peso foi por isso, né? De uma certa forma, por ter pela segunda vez separado do mesmo homem, eu mesma me puni de novo. Eu acreditei que eu inconscientemente voltei aquela aquela fase de 2013. Então, já tendo ajuda psicológica, eu acredito que não minto. A obesidade é uma doença também, na minha opinião. Você come por culpa, você come quando está feliz, você come quando quando está triste, você come quando tem um vazio, você come para se agradar, você come para se autosabotar. Então, hoje eu enxergo, eu me enxergo diferente, sim, porque eu me enxergo como uma pessoa que está superando seus limites mentais e físicos. Então, quando eu penso em comer para me deixar feliz ou quando eu estou triste, eu paro e penso: “Eu preciso disso, eu preciso da dopamina, da serotonina, do chocolate?” “Não, eu preciso”. Entendi porque estou com esse sentimento, sabe? E aí eu vou fazer alguma outra coisa, eu vou caminhar, eu vou respirar fundo, eu vou fazer uma sessão de terapia.
-Muitas pessoas enfrentam o julgamento sobre o corpo. Você já sofreu comentários ou críticas em relação ao seu peso?
– Na época, em 2013, sim, porque eu mudei de uma hora para outra. Eu apareci plus size, com 90 e poucos quilos, quase 100 kg, fazendo campanhas de lingerie, de biquíni, desfilando com moda praia e muita gente criticava, falava como eu podia ter deixado chegar naquele ponto e eu entendia as críticas, por mais que me doessem, eu entendia. Mas aquilo foi uma mola para que eu pudesse querer naquele momento. Ele me ajudou muito no meu processo de independência financeira, ajudar outras mulheres que estavam enfrentando aquilo também e depois me achar quem era a Ana Paula. Ela queria continuar porque o plus size na minha cabeça não era feio, ele só não podia me causar problemas de saúde. E quando começaram a me causar, que eu tinha muitas dores no meu calcanhar e na minha coluna, eu comecei a voltar o meu peso. Mas eu enfrentei bastante coisa sim, publicamente e também nos olhares de pessoas que conviviam comigo, que me olhavam e sempre falavam para mim assim: “A pior fase que até hoje eu acho é: nossa, seu rostinho continua igual”.
– Em algum momento você pensou em desistir do tratamento?
– Teve um momento que eu não descia o peso mais, eu emagreci bastante e eu fiquei num platô. Cheguei na doutora e falei: “Doutora, não é a hora da gente parar, de eu ficar do jeito que estou? Já emagreci bastante’. Eu acho que eu estava pesando uns 75 kg e ela disse: ‘De jeito algum! Você não pode parar, isso é normal. Você estava sem os remédios, você ficou dois meses sem os remédios por causa do tratamento da enxaqueca. Vamos voltar devagar’. E ela me deu o maior incentivo do mundo. Então é muito importante ter um médico que entende as oscilações do seu corpo, do seu humor, da sua vida, do seu metabolismo, do seu estresse. Então, ela foi fundamental para mim não parar, mas a minha vontade sim era de parar, eu tava cansada, não só do tratamento, mas de uma vida inteira de sanfona, sabe? De emagrece, engorda.
Superação e alegria de atingir o objetivo de eliminar 22 kg
– Você percebeu mudanças na sua disposição e na rotina de trabalho depois do emagrecimento?
– Sim, com certeza. Não só de você ver seu corpo desinchar, você ver os exames e a médica falar: você está desinflamada. Eu estava num processo de inflamação muito agudo, estava com muito lipedema nos braços, na barriga, nas costas e o meu humor também estava diferente. Eu era uma pessoa que eu sempre fui muito bem humorada, só que quando eu estava na naquela fase que eu estava muito gordinha, eu não tinha muita vontade de fazer as coisas. Minha tireoide já me tira a vontade mesmo de fazer. E eu estava sem muita paciência com as coisas de trabalho e as pessoas. Então isso mudou muito. E também para malhar. Eu não tinha muita disposição para malhar. Hoje não. É um hábito. Tenho que fazer. Independente da chuva, frio, vontade. Eu não espero ter vontade.
– Como foi a sua adaptação à sua nova alimentação e aos novos hábitos?
– Todas as vezes que eu sentia algo que faltava, eu pedia a nutricionista para acrescentar. Então, a gente adaptava. Eu descobri ao longo desse tempo que eu não posso lactose e nem glúten, que realmente me fazem muito mal. Eu descobri que eu fico dias sem ir ao banheiro por causa do glúten e a lactose me fermenta muito ao ponto de eu não ter uma digestão boa e ficar com enxaqueca. Eu desenvolvi uma enxaqueca muito forte ao longo da minha vida e eu não sabia porque era e hoje eu sei que é alimentar também além do genética, estresse e tal, mas a adaptação sempre foi boa porque eu aprendi a comer bem. Depois que eu comecei a morar com a Xuxa, ela me ensinou a comer muita coisa sem sal, tudo dela é muito limpo. Então eu já comia muita coisa boa. O que eu fazia de errado era comer muito chocolate compulsivamente e comer forano final de semana e sempre rodízios de japonês e de pizza. E isso eu cortei completamente durante o meu emagrecimento. Hoje eu faço com pizza proteíca com frango, com aveia, com coisas que eu possa comer. Sinto falta, claro, mas é uma questão de você trabalhar a sua mente e saber que aquilo ali não vai fazer o seu corpo funcionar e como eu quero que ele funcione pelos próximos 20 anos. É uma questão de escolhas.
-Depois do emagrecimento, quais hábitos você considera indispensáveis para mandar manter sua qualidade de vida?
– Eliminar completamente tudo que é que te faz mal, industrializado, excesso de sódio, não tenho mais açúcar na minha vida. Eu só uso muito pouco um adoçante de stévia e tirei hábito de refrigerante, de gordura, de fritura. E malhar todos os dias ou o máximo que você puder, e o hábito de dormir cedo. Acordar cedo, ter sua rotina da manhã de detox, de meditação, acalmar sua mente e limpar seu corpo na parte da manhã. Tenho hora para parar com as telas, uma hora antes de eu começar a dormir, eu já paro com tudo.
-O que mudou na sua autoestima ter eliminado 22 kg?
– É tudo você poder usar suas roupas que você guardou por muitos anos para poder colocar, as pessoas te elogiarem, você se reconhecer como uma pessoa que você sempre quis voltar a ser. Me escondia nas roupas largas e isso mudou. É muito muito gratificante você saber que você venceu o seu próprio limite da mente, do seu corpo. Saber que a obesidade é uma doença, que eu não estou curada, eu vou ter que lidar com ela a vida inteira, mas que eu posso ajudar outras pessoas através do meu exemplo, através da minha resiliência, da minha disciplina e de uma equipe que me ajudou. Então, a autoestima vai com o marido, com você botar um biquíni, você poder ir passo a passo, sabe? Agora eu já quero modelar o meu corpo, quero mostrar o músculo, já vejo o músculo na coxa, já quero agora no bumbum, já estou pensando numa cirurgia reparadora da mama. São sonhos que vêm através da autoestima e do que você conquistou.



