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Autor de Pantanal morre por complicações de doença irreversível, e médico explica: ‘Afeta praticamente todo o corpo’

O cenário da teledramaturgia brasileira está em luto. O consagrado autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, após enfrentar sérias complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica. O escritor, que marcou a história da televisão com fenômenos de audiência como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra, convivia com o diagnóstico há cerca de três anos e teve uma piora clínica severa enquanto estava internado.

A perda do dramaturgo joga luz sobre as características de uma enfermidade silenciosa e perigosa. A insuficiência renal crônica compromete as funções vitais do organismo de forma lenta, o que dificulta a percepção imediata do paciente e exige atenção redobrada aos exames preventivos.

O grande perigo da doença silenciosa

A insuficiência renal crônica é uma condição progressiva e irreversível que destrói a capacidade dos rins de filtrar o sangue, eliminar toxinas e controlar o equilíbrio de sais minerais e líquidos do corpo. Segundo o urologista Dr. Nelson Batezini, o diagnóstico precoce é o maior desafio médico devido à alta capacidade do órgão de trabalhar sob pressão.

“Os rins têm uma grande capacidade de compensação. Por isso, a insuficiência renal crônica pode evoluir por muito tempo sem causar sintomas importantes. Em muitos casos, o diagnóstico acontece quando a função renal já está bastante comprometida”, afirma em entrevista à CARAS Brasil.

Quais as principais causas e fatores de risco?

A perda das funções dos rins não acontece do dia para a noite. Ela costuma ser motivada por problemas crônicos de saúde que não receberam o tratamento adequado ao longo da vida. Condições inflamatórias, alterações genéticas, obstruções no trato urinário e episódios repetidos de cálculo renal estão na lista de culpados.

No entanto, o Dr. Nelson Batezini faz um alerta para os dois gatilhos mais comuns na população: “O controle adequado da pressão arterial, da glicemia e o acompanhamento médico regular são fundamentais para preservar a função renal. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de retardar sua progressão.”

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Os sintomas nas fases mais avançadas

Quando a doença alcança os estágios críticos, o corpo começa a dar sinais claros de saturação pelo acúmulo de impurezas. Os pacientes costumam relatar cansaço intenso, falta de apetite, episódios frequentes de náusea, inchaço nos membros inferiores, falta de ar, coceira na pele e variações bruscas no volume da urina. No caso de idosos, o quadro se torna ainda mais delicado.

“Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, o organismo perde a capacidade de eliminar substâncias tóxicas e controlar o equilíbrio de líquidos. Isso afeta praticamente todos os sistemas do corpo e torna o paciente mais vulnerável a infecções, alterações cardiovasculares e outras complicações graves”, pondera o médico.

Existe tratamento para a insuficiência renal?

Embora seja uma doença que não tem cura, a insuficiência renal crônica pode ter sua velocidade de evolução controlada com sucesso. De acordo com o urologista, o plano de ação varia conforme o nível de comprometimento dos órgãos e exige disciplina.

“O tratamento busca retardar a evolução da doença e reduzir as complicações. Dependendo do estágio, pode envolver mudanças na alimentação, controle rigoroso das doenças associadas, medicamentos específicos e acompanhamento periódico. Nos casos mais avançados, quando os rins já não conseguem manter suas funções, a diálise ou o transplante renal passam a ser necessários.”, diz.

Benedito Ruy Barbosa – Foto: Reprodução/Globo

A trajetória de Benedito Ruy Barbosa reforça a necessidade de manter a rotina de exames em dia, especialmente para quem já passou dos 60 anos, tem diabetes, hipertensão ou casos na família. “Exames simples de sangue e urina conseguem avaliar a função dos rins. Muitas vezes é possível evitar que a doença evolua para fases mais graves quando ela é descoberta no início”, finaliza Batezini.

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