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Setor de máquinas defende fim de tarifaço para proteger indústria americana



No segundo dia de audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês) sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o setor de máquinas e equipamentos apresentou a defesa da isenção tarifária para o setor. Representada pelo especialista em comércio exterior Wagner Parente, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alegou que a sobretaxação elevaria custos para a própria indústria americana.
De acordo com a entidade, o mercado dos Estados Unidos responde por cerca de 25% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, o setor exportou US$ 13,2 bilhões. A balança comercial entre Brasil e EUA no setor tem déficit de US$ 1,2 bilhão.
Patrícia Gomes, diretora de comércio exterior da Abimaq, ressalta que a maioria das vendas são intercompany, ou seja, entre empresas do mesmo grupo.
“Hoje, 82% das exportações é feito intercompany. Então, a decisão de uma imposição de tarifa, ela afetaria as empresas americanas, no mercado americano. Qualquer efeito sobre o setor vai provocar uma desorganização na cadeia, trazendo prejuízo para os dois países”, afirmou.
Segundo a Abimaq, os segmentos de máquinas para construção civil e componentes para a indústria de bens de capital são os mais exportados do Brasil para os Estados Unidos.
Gomes considera que o resultado das audiências foi positivo por esclarecer dúvidas sobre os setores e seus produtos. Mas é difícil prever se o governo americano vai ampliar a lista de exceções. “O USTR pode fazer uma nova lista, mas a decisão final fica a cargo do presidente da República, não dá para ter certeza se vamos conseguir ter mais itens excluídos”, observa.
Nesta terça-feira (7/7), as audiências ouviram representantes dos setores de máquinas e equipamentos, calçados, madeira, papel e celulose, mineração e siderurgia, cerâmica, entre outros.
Na segunda-feira, as audiências foram concentradas em representantes do agronegócio.
Café solúvel
No painel voltado ao café, o Cecafé, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos, defenderam manter a isenção da tarifa de 25% sobre os cafés verde, torrado e moído e estender o benefício ao café solúvel.
A Abics defendeu em sua apresentação que o produto é fundamental para diversos setores da economia americana, incluindo bebidas prontas para consumo, produtos de panificação, confeitaria, laticínios e serviços de alimentação institucional. A entidade citou estudos que apontam crescimento anual de 5,6% entre 2025 e 2030 no mercado americano de café pronto para consumo.
A Abics salientou a necessidade de garantir abastecimento estável e acessível de café solúvel. Segundo a associação, o Brasil responde por 22% das importações americanas de café solúvel, somando 15,5 mil toneladas por ano.
Cerca de 11% da população nos EUA consome café solúvel diariamente, a um custo de US$ 0,06 a US$ 0,07 por xícara. A tarifa adicional de 25% pressiona as margens das empresas e pressiona a inflação no país.
“México e Brasil respondem por quase 60% do total das importações, sendo que os preços mexicanos são cerca de 1,5 vez mais altos que os brasileiros”, afirmou Fabio Sato, diretor de relações institucionais da Abics, Fabio Sato, que participou da audiência. Ele acrescentou que Colômbia, Vietnã e Indonésia, fornecedores alternativos, não conseguem suprir a oferta brasileira e mexicana.
Mel
O setor exportador de mel, que também é investigado baseado na Seção 301, também participou das audiências na segunda-feira. O Brasil exporta em torno de 40 mil toneladas de mel orgânico por ano para os Estados Unidos, que não tem produção local dessa categoria de mel. O setor já está sujeito a uma taxa de importação de 12,5% e, com a sobretaxa de 25% proposta pela administração Trump, a taxação chega a 37,5%.
“O Brasil atende 75% da demanda, é o principal fornecedor de mel orgânico para os Estados Unidos”, disse João Marcelo Messas, diretor da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), que participou das audiências. A Abemel estima que cada dólar de mel orgânico importado se transforma em US$ 5,50 em negócios para a economia americana.
Messas disse estar otimista com o andamento da investigação pelo USTR. “Eu vejo um cenário otimista, no sentido de que fizemos o nosso papel. Cumprimos os prazos, respondemos os questionamentos de forma muito esclarecedora, que foi muito bem recebida pelo comitê que avaliou a gente”, afirmou.
Messas acrescentou que, além de ter o apoio durante a audiência do setor exportador brasileiro, empresas que estão sendo impactadas nos Estados Unidos também defenderam a isenção da tarifa de 25%. “Vejo com bons olhos tudo o que aconteceu, mas ainda sem garantia de que a gente vai ter uma definição a nosso favor”, ponderou Messas.
Arroz
A indústria do arroz também participou do primeiro dia de audiências. Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), disse que o ambiente na audiência foi receptivo.
O setor foi questionado por que o arroz americano não substitui o brasileiro e a Abiarroz observou que o arroz brasileiro atende um perfil específico de consumidores. “Falamos sobre os potenciais impactos sobre pequenas e médias empresas americanas que atendem ao nicho de comunidade latina, bem como toda a cadeia de valor envolvida de logística, transporte, armazenagem e o potencial aumento de custo para o consumidor americano”, disse Silva.
Desmatamento e etanol
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que foi representada por Fernanda Maciel Carneiro, rebateu que o desmatamento ilegal está concentrado em uma área isolada e não representa a agropecuária brasileira. A CNA apresentou dados indicando que o desmatamento na Amazônia Legal reduziu 56% entre 2011 e 2025.
No segmento de biocombustíveis, o governo americano acusa o Brasil de prejudicar o comércio de etanol com aplicação de tarifas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) alegou que a tarifa brasileira sobre o etanol importado segue a regra de Nação Mais Favorecida da OMC e que não se trata de uma retaliação aos Estados Unidos.
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, defendeu que o etanol americano perdeu espaço no Brasil por causa do câmbio, dos custos logísticos e da expansão acelerada da indústria de etanol de milho no mercado doméstico.
O USTR tem até o dia 15 para tomar a sua decisão final com base na investigação da Seção 301.
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Globo Rural

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