Os cálculos do PL para o palanque no Rio após operação da PF contra candidato ao Senado

A sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 7, embaralha ainda mais as articulações políticas do PL no Rio de Janeiro. A chapa do partido, em aliança com a federação União Progressista, foi anunciada em fevereiro, mas corre o risco de ser desfigurada por ofensivas policiais em sequência. A primeira baixa foi a do ex-governador Cláudio Castro (PL), que abriu mão da candidatura ao Senado depois de receber duas visitas da PF em menos de um mês. O substituto ainda não foi anunciado. Agora, o segundo candidato do grupo a senador, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), corre o risco de ser rifado se houver desdobramentos da Operação Unha e Carne. Ele foi alvo de buscas nesta terça.
Lideranças do PL no Rio consideram que as buscas, por si só, não são suficientes para inviabilizar a candidatura do ex-prefeito. O comando é esperar o caso “maturar” para verificar se Canella sai apenas chamuscado ou inteiramente queimado da operação. Há preocupação especial com o fato de Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, ser suplente na chapa. O partido não quer o sobrenome da família associado a mais um escândalo depois da crise com Michelle e das conexões com Daniel Vorcaro. Tudo vai depender, no entanto, do que a Polícia Federal encontrar no material apreendido e das próximas pesquisas de intenção de voto. O PL compreende que a vaga é da federação composta por União Brasil e PP, maior agremiação política da direita brasileira, e que, juntas, as legendas precisam ponderar o melhor caminho a seguir.
Canella é próximo do presidente nacional do União, Antonio Rueda, maior fiador de sua candidatura. Nos bastidores da política fluminense, já corria o burburinho de que o ex-prefeito poderia ser alvo da Polícia Federal, o que não demoveu o partido de lançar seu nome ao Senado. Uma eventual substituição dependeria de conversas para viabilizar uma alternativa caseira, ou seja, dentro do próprio União. Isso porque o PP já ficou com a vice na chapa de Douglas Ruas, pré-candidato a governador. Se isso não for possível, a solução seria pescar um quadro do Partido Progressista, como Felipe Curi (PP-RJ), ex-secretário de segurança do Rio.
O principal nome do União Brasil no Rio era o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que viu os planos políticos desmoronarem depois que foi preso por suspeita de vazar informações sigilosas de uma investigação da Polícia Federal a um ex-deputado ligado ao crime organizado. Bacellar perdeu o mandato como resultado da condenação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o mesmo que deixou Cláudio Castro inelegível.
Em paralelo, o PL tenta lidar com a própria crise gerada pela desistência do ex-governador. A decisão final sobre quem será lançado no lugar de Cláudio Castro está nas mãos do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que ainda não bateram o martelo entre o senador Carlos Portinho e o deputado Carlos Jordy. Havia expectativa de que o nome fosse anunciado na última sexta, em um evento que reuniu lideranças nacionais do partido no Rio. A indefinição, no entanto, permanece. Correligionários começam a ficar ansiosos – a convenção do partido está marcada para 25 de julho. “À esta altura, uma decisão ruim é melhor do que a indecisão”, afirma um cacique do PL fluminense.
A Operação Unha e Carne foi deflagrada em 3 de dezembro de 2025. Na ocasião, Bacellar foi preso por suspeita de vazar informações de um inquérito sigiloso da PF ao ex-deputado TH Joias, que vinha sendo investigado por envolvimento com o Comando Vermelho. Duas semanas depois, no dia 16 de dezembro, a Polícia Federal voltou às ruas na segunda fase da investigação e prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), acusado de ser o informante de Bacellar.
A terceira etapa da operação foi aberta em 27 de março para prender novamente Bacellar, que havia sido solto com tornozeleira eletrônica por ordem da Assembleia Legislativa. Moraes expediu um novo mandado de prisão depois que o mandato do ex-deputado foi cassado pelo TSE. Em 5 de maio, uma nova fase prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ), suspeito de operar fraudes em contratos da área de Educação do estado e de envolvimento com o crime organizado. Na etapa mais recente, aberta na semana passada, a PF investiga conexões de políticos com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da máfia do cigarro. O pastor Márcio Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), foi preso e o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, foi alvo de buscas.
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