Política

Documentos mostram capital estrangeiro em empresa de direitos do futebol

Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que parte do dinheiro que capitalizou a Sports Media Participações), empresa que estrutura as finanças da FFU (Futebol Forte União), veio do exterior por veículos cujos beneficiários finais não constam dos registros públicos brasileiros: uma sociedade da Nova Zelândia e uma empresa brasileira controlada por offshore de Malta.

A FFU, associação que negocia direitos de transmissão de cerca de 30 times, está no centro de uma disputa que envolve o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a CBF e clubes e federações brasileiraos, que cogitam deixá-la.

Os documentos — atos societários da Sports Media Participações e da Geodex arquivados na Junta Comercial do Paraná, aos quais a Folha teve acesso — mostram que, em outubro de 2023, a Sports Media Participações foi capitalizada em R$ 310 milhões — R$ 200 milhões da GMI (Global Markets Investments), da Nova Zelândia, R$ 100 milhões da Geodex Empresa de Participações, de Curitiba, cujo capital é 82,5% detido pela maltesa Palmer Ventures Capital, e R$ 10 milhões de um sócio pessoa física.

O grupo Sports Media detém, até 2074, participação de 20% nas receitas comerciais dos clubes da FFU. Em nenhum dos registros constam as pessoas físicas que são as beneficiárias finais dos dois veículos.

No fim de junho, a Superintendência-Geral do Cade concedeu medida preventiva que impede a Sports Media de criar obstáculos à saída de clubes da FFU. A decisão, provisória, atendeu a pedido do CSA, de Alagoas, que questionava regras de seu contrato com a empresa. Os clubes têm reunião nesta quinta (9) para discutir os impactos da decisão.

O Sinafut (Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional), em conflito com a Sports Media, apresentou na semana passada ação civil na Justiça do Distrito Federal questionando a operação de julho de 2025 em que a Sports Media Entertainment emitiu R$ 950 milhões em debêntures, com os direitos de arena dos clubes da FFU dados como garantia.

O cerco à investidora ocorre em meio à ofensiva da CBF pela criação de uma liga única sob seu comando. Como revelou o Painel em março, Francisco Mendes — filho do ministro Gilmar Mendes, do STF, presidente do IDP e figura influente na confederação — telefonou a dirigentes de clubes para tentar esvaziar assembleia da FFU.

Procurada, a Sports Media afirmou, em nota, que os aportes foram feitos por “veículos de investimento regularmente constituídos no exterior”, em operação registrada e “em conformidade com a legislação brasileira” e com as normas de investimento estrangeiro.

Segundo a empresa, a origem internacional dos recursos “não altera a natureza da companhia, sua governança ou suas obrigações no país”.


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Folha de São Paulo

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