Os Bolsonaro, como os peixes, morrem pela boca

Característica marcante em Jair Bolsonaro & filhos é a incapacidade de prever o efeito de seus atos. Acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. São como peixes: morrem pela boca.
O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão Eduardo batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: “Fui eu”.
É um fardo que Flávio Bolsonaro (PL) carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.
Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do senador em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme “Dark Horse”.
Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Eduardo tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?
A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis.
Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.
Em contraponto, a madrasta Michelle —Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção— como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.
Folha de São Paulo



