O reforço feminino na campanha de Flávio Bolsonaro

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Coordenadora da pauta econômica do plano de governo do presidenciável Flávio Bolsonaro e da integração de ideias voltadas às mulheres, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques critica Lula por ter prometido “picanha para o povo e entregado churrasquinho de gato”, afirma que o atual governo está levando a economia do país para o abismo e diz que, junto a outros conselheiros do Zero Um, entre eles o ex-chefe do Banco Central Roberto Campos Neto, mapeou até 3 trilhões de reais, entre estatais, penduricalhos no serviço público e imóveis da União que estariam largados ao “descaso absoluto” — indicando o tamanho da tesourada que o senador do PL prepara em caso de vitória na eleição de outubro.
Ao fim da administração de Jair Bolsonaro, no qual, além da Caixa, também liderou duas supersecretarias sob o então ministro da Economia Paulo Guedes, Marques fundou o grupo “Pra elas”, dedicado à autonomia financeira feminina. Rejeitando contornos ideológicos em torno da pauta, Dani, como prefere ser chamada, garante que Flávio Bolsonaro vai propor “soluções concretas para problemas reais” das mulheres, e, sem meias palavras, declara, na contramão das pesquisas, que o eleitorado feminino deveria rejeitar Lula, e não o rebento do ex-presidente.
“Vivo num país onde um presidente fala que mulher tem grelo duro e que autoriza espancar mulher em dia de jogo do Corinthians. Isso, sim, é radicalismo e desrespeito total”, dispara em entrevista a VEJA. “Sob o governo Lula, o país registrou o primeiro ano mais letal contra as mulheres desde 2015. É esse governo que as mulheres deveriam estar rejeitando. A gente quer levar soluções concretas para problemas reais das mulheres e sair desse discurso hipócrita.”
Bem-vista dentro da campanha de Flávio como uma possível candidata a vice, Daniella diz que nunca conversou com o presidenciável sobre o assunto, e nem tampouco a respeito da hipótese de, em caso de vitória nas urnas, tornar-se ministra da Fazenda. No início do ano, ela filiou-se discretamente ao Republicanos, o que coloca no horizonte uma eventual costura política do Zero Um com o deputado Marcos Pereira, presidente do partido, que daria capilaridade a sua candidatura com o apoio de uma leva extra de prefeitos Brasil afora e um precioso acréscimo no tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.
No café de Flávio Bolsonaro com mulheres de direita, realizado em Brasília há cerca de dez dias, Daniella assumiu o papel de mestre de cerimônia, junto à deputada federal Soraya Santos (PL-RJ).
A convenção do PL que vai oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto está marcada para 25 de julho, em São Paulo, e o ideal para o QG eleitoral do senador seria ter a vice definida a essa altura. Por ora, declarações do cacique do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, mostram que o campo segue aberto às especulações. “Daniella é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto, né? Tem que trazer alguém que tenha voto”, declarou o dirigente à imprensa.
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