Lula vai evitar pauta de costumes e focar em valores cristãos para atrair evangélicos

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O PT traçou uma estratégia que visa aproximar o partido e Lula dos eleitores evangélicos durante a campanha eleitoral. A legenda quer diminuir a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista na disputa ao Planalto, no segmento que foi majoritariamente conquistado pela oposição ao longo dos anos, principalmente após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018.
O plano está estruturado e visa ajudar Lula a conquistar alguma vantagem sobre Flávio Bolsonaro no momento em que o senador atravessa uma crise em sua pré-campanha.
Desde que veio a público a relação do candidato do PL com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a popularidade dele entre os evangélicos caiu. No levantamento da Genial/Quaest divulgado em maio, ele aparecia com 49% das intenções de voto neste segmento. Em junho, o índice caiu para 41%.
Um dos pilares dessa estratégia do PT é evitar ao máximo qualquer tema relacionado à pauta de costumes – como a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A defesa da linguagem neutra, um assunto relevante para alguns nichos da esquerda, também será ignorada. Essa agenda sempre foi usada pelos adversários do petista para desgastá-lo junto aos evangélicos.
Outro ponto da estratégia do PT é orientar a militância evangélica – cerca de 500 mil filiados – a associar os programas sociais do governo aos valores verdadeiramente cristãos, enfatizando que o governo Lula está preocupado com a família, com o combate à fome, com a busca pela justiça social e com a solidariedade aos mais pobres.
O objetivo do PT é fazer um contraponto justamente ao discurso que ajudou a popularizar Jair Bolsonaro junto ao público evangélico, quando se tornou presidente com o lema “Deus, pátria e família”.
Outra aposta dos petistas será bater na tecla de que o partido não tem interesse em instrumentalizar as igrejas, ou a fé, a exemplo do que sempre fez Bolsonaro.
Com a ajuda de 27 núcleos distribuídos por todos os Estados da federação, o PT quer reforçar a imagem de que a esquerda não quer transformar altar em palanque.
“Nosso projeto é o projeto das comunidades evangélicas. Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo”, afirmou Edinho Silva, presidente nacional do PT.
A estratégia não é nova e, nas vezes em que já foi testada, os resultados não foram muitio bons.
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