Política

Câmara aproveita sessão esvaziada e acelera passagem de ‘boiadinha’ contra meio ambiente

Com uma sessão esvaziada, a Câmara aprovou um requerimento para acelerar a tramitação de um texto que pode representar uma nova “boiadinha” contra o meio ambiente.

A aprovação do requerimento de urgência do PDL que susta um decreto do governo Lula que ampliou a área de uma unidade de conservação no Pantanal, a Estação Ecológica de Taiamã, ocorreu em cerca de 15 minutos e dividiu parlamentares da base aliada do petista e da oposição.

Em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua participação na abertura da COP15, a cúpula da Organização das Nações Unidas sobre espécies migratórias, para publicar o decreto do governo federal que determinou a ampliação da unidade de conservação em 56.959 hectares, elevando sua área total para cerca de 68.502 hectares nos municípios de Cáceres e Poconé, no Mato Grosso.

Essa foi uma das medidas entre tantas outras da gestão petista destinadas à conservação da biodiversidade e à proteção dos ecossistemas pantaneiros.

Em reação, a deputada bolsonarista Coronel Fernanda apresentou o PDL para derrubar o decreto, alegando que o texto ignorou as manifestações contrárias de produtores rurais e sindicatos, o que, em sua avaliação, configura a falta de lisura e a ausência de diálogo efetivo.

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A parlamentar do PL argumenta que a medida sobrepõe-se a propriedades rurais produtivas, gerando insegurança jurídica para pecuaristas e pescadores, com risco iminente de desapropriações compulsórias sem indenizações prévias adequadas.

De acordo com Fernanda, a vigência imediata do decreto ameaça atividades econômicas consolidadas, podendo paralisar investimentos e gerar desemprego em Cáceres e Poconé, enquanto controvérsias sobre a consulta persistem.

Antes mesmo da análise da urgência que acelerou a tramitação do PDL, o Ministério do Meio Ambiente se posicionou contra a proposta da deputada bolsonarista.

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“A ampliação da unidade de conservação foi precedida de amplo processo de participação social, que incluiu reuniões com representantes do poder público, do setor produtivo, proprietários rurais e pescadores, além de consulta pública com cerca de 350 participantes e de consulta livre, prévia e informada às comunidades pesqueiras tradicionais”, afirma a pasta.

Ainda assim, o requerimento que abriu caminho para que o PDL seja apreciado diretamente pelo plenário da Câmara foi aprovado, com apoio de 276 deputados, frente a 139 votos contrários. Houve uma abstenção.

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