Argentina precisa reverter estatística incômoda que desfavorece os melhores ataques de Copas

A Argentina chega para a final da Copa do Mundo de 2026 com o melhor ataque da competição. A seleção comandada por Lionel Scaloni ostenta nada menos do que 19 gols, conquistados até o jogo da semifinal, diante da Inglaterra.
Em uma virada dramática —como tem sido a tônica da Alviceleste neste Mundial— Enzo Fernandez e Lautaro Martinez capitanearam a reação sul-americana já no apagar das luzes, nesta quarta-feira (15).
O camisa 24 da Argentina empatou o jogo aos 41min do segundo tempo e o camisa 22 garantiu a vitória nos acréscimos. Antes disso, o atacante Anthony Gordon havia colocado os ingleses na frente do placar aos 10min da etapa complementar.
Apesar dos números fazerem inveja a qualquer seleção, os alvicelestes terão que reverter uma tendência curiosa dos Mundiais deste século.
Desde o torneio sediado no Japão e na Coreia do Sul, só duas equipes com o melhor ataque terminaram campeãs: Brasil (2002) e Alemanha (2014). Nos outros anos, os times que mais balançaram as redes caíram na final ou até antes.
Os próprios argentinos contribuíram com a estatística que agora serve de alerta. À essa altura do campeonato em 2022, os argentinos chegavam à decisão contra a França. Tinham sete gols a menos do que neste ano, ou seja 12.
Do outro lado, os Bleus de Kylian Mbappé, tinham 13 tentos.
O empate por 2 a 2 no tempo regulamentar —e 3 a 3 na prorrogação— garantiu aos franceses o melhor ataque daquela edição, mas não a taça, que foi com os alvicelestes para Buenos Aires.
A Scaloneta enfrenta a Espanha no próximo domingo (19), às 16h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA). A Roja garantiu a segunda final de Copas na última terça-feira (14), ao bater os franceses por 2 a 0.
MELHOR ATAQUE NÃO GARANTE TÍTULO
A Copa de 2006, na Alemanha, foi marcada pelo bom desempenho ofensivo dos donos da casa. Até as quartas de final, os alemães haviam marcado 14 gols. Já na semifinal, não fizeram e viram a Itália carimbar a ida para a decisão por 2 a 0.
Os italianos precisaram de 12 gols para ficar com a taça na mão, depois de bater a França nos pênaltis.
Na África do Sul, os alemães viveram o drama de forma mais profunda. Fizeram 16 gols na competição e terminaram mais uma vez como o melhor ataque.
Três deles, no entanto, anotados na disputa pelo 3º lugar, depois da derrota para a Espanha por 1 a 0 na semifinal.
A campeã daquela edição foi mais eficiente. A Furia Roja precisou da metade dos gols alemães para levantar a taça, em 2010. Isto é, apenas oito.
O Mundial da Rússia ainda é lembrado pela empolgação em torno da “geração de ouro” da Bélgica. Com 16 gols marcados, Eden Hazard, Romelu Lukaku e Kevin De Bruyne garantiram aos belgas o melhor ataque de 2018. No entanto, não chegaram sequer à final.
Os franceses, com 14, vestiram a faixa de campeão, 20 anos depois do primeiro título.
Esporte / Folha de São Paulo



