Carro de luxo e jatinho apontam relação de Rodrigo Bacellar com bicheiro Adilsinho no Rio, segundo investigação da PF

A operação Unha e Carne apura o envolvimento de políticos fluminenses com o crime organizado. Novos elementos da investigação da Polícia Federal (PF) detalham a relação do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar (União) com o bicheiro Adilsinho. Em sua 5ª fase, a operação revelou que Bacellar estaria sob influência do contraventor apontado como chefe da máfia do cigarro no Rio.
Um dos principais elementos citados pela investigação é um veículo de luxo encontrado na casa de Bacellar, em Teresópolis, na Região Serrana, durante o cumprimento do primeiro mandado de busca contra o então presidente da Alerj, em dezembro do ano passado.
O Mercedes-Benz GLE 400 blindado estava registrado em nome de uma empresa pertencente ao filho de um empresário dono de uma rede de gráficas utilizadas por Adilsinho para financiar agentes políticos.
Apenas uma dessas empresas, a Gráfica Editora Completa, movimentou cerca de R$ 1,5 milhão, com recursos provenientes quase integralmente de fundos públicos eleitorais em 2022, em campanhas de 73 candidatos. As informações foram divulgadas pela TV Globo na última quinta-feira (15).
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Outro elemento que reforça o vínculo de Bacellar com Adilsinho, segundo a PF, seria o uso de uma frota de aeronaves ligadas a operadores financeiros e empresas com contratos públicos milionários. Segundo a PF, um dos jatos pertence à empresa GPC Soluções em Saúde, que mantém contratos firmados sem licitação com a Fundação Saúde, em valores que ultrapassam R$ 60 milhões.
A defesa de Rodrigo Bacellar afirmou, à TV Globo, que não teve acesso aos autos do processo. Os demais envolvidos negam relação com os fatos investigados. A Fundação Saúde declarou que o último contrato com a empresa GPC Soluções em Saúde foi encerrado em março de 2026.
Transferência de Bacellar
Preso na terceira fase da operação Unha e Carne, em março, Bacellar foi transferido essa semana do Rio para um presídio federal em Brasília. A medida foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes após investigações apontarem que ele tinha acesso a telefone celular na cadeia.
Segundo Moraes, o político continuava exercendo influência sobre integrantes do poder público fluminense por meio do aparelho. A transferência ocorreu no âmbito da quinta fase da operação, deflagrada no início do mês, que teve origem na análise das planilhas apreendidas com Adilsinho.
O documento traz uma lista de políticos e candidatos à eleição de 2022 mencionados como “clientes” do bicheiro e associados a valores financeiros. A quantia anotada é de quase R$ 22 milhões.
A PF investiga o envolvimento de aliados do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como o ex-governador Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, que aparece com o codinome “Barba” na planilha. Todos os suspeitos negam envolvimento com Adilsinho. A defesa do bicheiro também nega pagamentos a agentes públicos.
Márcio Poncio, que havia sido preso na 5ª fase da operação, teve a prisão preventiva substituída por domiciliar por questões de saúde. Pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, o empresário passou a usar tornozeleira eletrônica e fica proibido de utilizar redes sociais e ter contato com outros investigados.



