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Icebergs do Pacífico podem enfraquecer corrente vital do planeta

Um estudo da Universidade da Califórnia, Davis, revelou que o derretimento de icebergs no nordeste do Oceano Pacífico pode contribuir para o enfraquecimento da AMOC, uma das maiores correntes oceânicas do planeta.

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A descoberta muda a forma como cientistas interpretam eventos climáticos antigos e mostra que alterações em uma região distante podem afetar o equilíbrio dos oceanos.

Cientistas descobriram que o derretimento de gelo em uma região distante pode afetar oceanos do outro lado do planeta. Imagem: Mozgova / Shutterstock

Corrente oceânica funciona como um motor climático

Publicada na revista Nature Communications, a pesquisa analisou a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), um sistema que funciona como uma enorme esteira transportadora de calor.

A corrente leva águas quentes e salgadas dos trópicos para o Atlântico Norte e responde por cerca de 70% do transporte oceânico de calor através do Equador. Por isso, mudanças em seu funcionamento podem provocar impactos no clima global.

Durante anos, cientistas consideraram que grandes liberações de gelo no Atlântico Norte eram as principais responsáveis pelo enfraquecimento da AMOC durante os chamados eventos Heinrich, períodos de fortes mudanças climáticas registrados na última era glacial.

Mas a sequência dos acontecimentos apontou para outro caminho. Segundo Chijun Sun, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade da Califórnia, Davis, esses eventos no Atlântico ocorreram depois da perda de força da corrente.

“Mais recentemente, porém, cientistas descobriram que esses eventos de derretimento de icebergs no Atlântico Norte aconteceram depois que a AMOC foi enfraquecida e a Groenlândia foi resfriada”, explicou Sun.

A água doce liberada por icebergs pode alterar o equilíbrio de uma das maiores correntes do planeta. Imagem: Rixipix/iStock

Supercomputadores recriaram clima de 19 mil anos atrás

Para investigar a origem dessas mudanças, os pesquisadores combinaram dados de paleoclima com simulações em supercomputadores. O modelo recriou o Heinrich Stadial 1, ocorrido há aproximadamente 19 mil anos.


Naquele período, o nível do mar era cerca de 119 metros menor que o atual, uma gigantesca camada de gelo cobria a América do Norte e a concentração de dióxido de carbono era de aproximadamente 180 partes por milhão.

As simulações indicaram que a água doce liberada por icebergs do nordeste do Pacífico chegou ao Atlântico Norte e alterou as condições necessárias para o funcionamento da AMOC.

  • Icebergs do Pacífico podem ter contribuído para mudanças na AMOC;
  • A água doce alterou as características das águas do Atlântico Norte;
  • O processo esteve relacionado a períodos de mudanças climáticas globais;
  • O estudo revelou conexões entre diferentes regiões oceânicas.
Correntes marítimas quentes e frias da AMOC no Oceano Atlântico em um mapa dinâmico.
Pesquisa revela que os oceanos funcionam como um sistema conectado de mudanças e impactos. – Imagem: Shutterstock AI/Shutterstock

Descoberta ajuda a prever riscos futuros

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Além de explicar eventos do passado, o estudo também traz pistas sobre o futuro climático. Segundo Sun, existe consenso científico de que a AMOC deve enfraquecer até o fim do século XXI. Alguns pesquisadores avaliam até a possibilidade de um colapso do sistema.

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“Não é apenas sensível ao que aconteceu no Atlântico Norte. Ela pode ser sensível a qualquer descarga de água doce”, afirmou o pesquisador.

Pesquisas anteriores da equipe já haviam relacionado o enfraquecimento da AMOC a reduções importantes nas chuvas em regiões como América Central, Amazônia e África Ocidental.

O novo estudo reforça que o comportamento dos oceanos depende de uma rede de conexões globais e que mudanças no gelo podem desencadear efeitos muito além do local onde acontecem.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.


Olhar Digital

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