Um ano após se chamar de ‘inútil’, Hamilton volta à Hungria na briga pelo título

Poucos circuitos simbolizam tão bem a grandeza de Lewis Hamilton na F1 quanto o Hungaroring. O inglês é recordista de vitórias (8), poles (9) e pódios (12) no palco do GP da Hungria. Neste sábado (25), ele ficou a apenas 0s012 de alcançar mais uma pole —conquistada por Lando Norris—, e comprovou que a Ferrari tem condições de brigar pelas primeiras posições.
A satisfação pelo desempenho, porém, deu lugar à frustração, após ele ser punido por atrapalhar Oscar Piastri durante a classificação. O heptacampeão perdeu três posições no grid e largará apenas em quinto na corrida deste domingo (26).
Mesmo assim, a decepção esteve longe daquela vivida um ano atrás. Em sua temporada de estreia na Ferrari, Hamilton viu o companheiro de equipe Charles Leclerc conquistar a pole position enquanto ele marcou apenas o 12º melhor tempo. A diferença entre os dois levou o heptacampeão a um duro desabafo.
“Sou inútil, simplesmente inútil [aos sábados]. A equipe não tem problema, o outro carro está na pole. Eles provavelmente têm que trocar o piloto”, declarou. Na corrida, repetiu a 12ª colocação, enquanto o monegasco terminou em quarto.
Um ano depois, o cenário é completamente diferente. Hamilton retorna ao Hungaroring embalado pela evolução da Ferrari e pelo bom momento na temporada. O britânico chega ao circuito em condições de disputar a vitória e de aproveitar a pista em que mais brilhou na carreira para reduzir a diferença para Kimi Antonelli, da Mercedes, na briga pelo título antes da pausa da F1.
Décima primeira etapa da temporada, o GP da Hungria será disputado neste domingo (26), às 10h (de Brasília). Depois disso, a categoria entrará em uma pausa de quase um mês e voltará apenas em 23 de agosto, com o GP da Holanda.
Antes do futuro hiato de provas, a Ferrari espera deixar Hamilton o mais próximo possível de Antonelli na classificação, para pressionar o piloto da Mercedes durante a pausa. A situação do inglês melhorou ainda mais após o italiano ser punido por desrespeitar a bandeira amarela e cair para a sétima posição no grid.
Vice-líder do campeonato, Hamilton está a 45 pontos de Antonelli (204 a 159). Na quinta-feira (23), diante da boa perspectiva para a corrida na Hungria, também, para sequência da temporada, Hamilton demonstrou gratidão à escuderia italiana.
“Estou orgulhoso de todos os membros da equipe e, sem dúvida, também estou orgulhoso de mim mesmo por ter saído da situação em que me encontrava”, afirmou.
Na sequência, em tom de brincadeira, o heptacampeão afirmou que fará um documentário sobre a própria vida, com detalhes sobre o fim de semana em que se sentiu um piloto “inútil”.
“Um dia, quando eu fizer meu documentário, vou contar tudo sobre aquele fim de semana e o que levou a isso. Mas, vindo daquela experiência, mesmo chegando a esta semana, senti muito o que aconteceu na semana passada e cheguei em um lugar totalmente diferente de onde estava no ano passado, pelo que sou muito grato”, disse.
A punição deste sábado tirou de Hamilton a chance de largar na primeira fila, mas não mudou o panorama construído pela Ferrari nas últimas semanas. Mesmo saindo apenas em quinto, ele mantém a expectativa de brigar pelas primeiras posições e reduzir a diferença para Antonelli antes da pausa da F1.
Esporte / Folha de São Paulo



