Economia

como calcular o custo real da educação dos filhos

O início do segundo semestre dá a largada para o período de rematrícula nas escolas particulares de todo o país. Com a divulgação de calendários e condições para o próximo ano letivo, este é considerado um momento estratégico para reorganizar uma das principais contas do orçamento de muitas famílias. Além de permitir a comparação entre descontos, prazos e formas de pagamento, a antecedência ajuda os pais a verificar se a instituição escolhida realmente cabe na renda familiar durante todo o ano.

Segundo especialista ouvido pelo InfoMoney, uma escola com mensalidade de R$ 1.000 pode, na prática, custar entre R$ 1.100 e R$ 1.200 por mês quando entram na conta material didático, uniforme, transporte, atividades extracurriculares e outras despesas cobradas ao longo do ano. Esse custo ampliado, muitas vezes ignorado pelas famílias, deve ser calculado antes da rematrícula para evitar que uma despesa previsível se transforme em dívida.

Segundo Leônidas Cristino, diretor financeiro do isaac, plataforma de soluções financeiras para instituições de ensino, considerar apenas a mensalidade é um dos principais erros no planejamento da educação dos filhos. “Recomendamos que a família considere não apenas o valor da mensalidade, mas todos os custos envolvidos. Além da matrícula, entram nessa conta todas as outras despesas obrigatórias ligadas à educação”, afirma.

Caso a criança participe de esportes, cursos de idiomas, atividades culturais ou outras experiências complementares, esses gastos também precisam ser incorporados ao cálculo. Como referência, Cristino recomenda acrescentar entre 10% e 20% ao valor mensal da escola. “Se a mensalidade é de R$ 1.000, por exemplo, o planejamento deveria considerar um gasto entre R$ 1.100 e R$ 1.200 por mês para contemplar as despesas adicionais”, explica.

A margem, porém, deve ser tratada como uma estimativa. Em escolas que cobram material apostilado, transporte, alimentação ou atividades à parte, o custo adicional pode superar esse percentual.

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Como calcular o custo anual

Para chegar ao valor mais próximo da realidade, a família deve somar todas as despesas relacionadas à educação durante o ano, incluindo:

  • mensalidades;
  • matrícula ou rematrícula;
  • livros e material didático;
  • uniforme;
  • transporte escolar;
  • alimentação;
  • atividades extracurriculares;
  • passeios e viagens pedagógicas;
  • equipamentos eletrônicos;
  • reajustes e despesas imprevistas.

Veja como fazer o cálculo:

Despesa Valor estimado
12 mensalidades R$ 12.000
Matrícula R$ 1.000
Material e livros R$ 1.500
Uniforme R$ 500
Atividades e passeios R$ 1.200
Custo anual estimado R$ 16.200
Média mensal real R$ 1.350

Antecipar a rematrícula pode reduzir o custo

Segundo Cristino, muitas escolas começam a oferecer condições de pré-matrícula a partir de agosto. Quem acompanha esse calendário pode encontrar descontos e prazos mais longos para parcelamento.

“À medida que a data de retorno das aulas se aproxima, os valores tendem a aumentar. Quem realiza a pré-matrícula antecipadamente costuma ter acesso a condições de pagamento mais favoráveis”, afirma. O número de parcelas também pode fazer diferença. Uma rematrícula realizada em agosto, por exemplo, pode ser dividida até dezembro. Quando a decisão é adiada para outubro ou novembro, a família terá menos meses para absorver o mesmo gasto.

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Antecipar, no entanto, não é necessariamente a melhor escolha em todos os casos. Para famílias que dependem do 13º salário, por exemplo, aguardar o fim do ano pode oferecer maior segurança financeira. A decisão deve considerar o desconto oferecido pela escola, o número de parcelas, a existência de uma reserva e os demais compromissos previstos para o período.

“O mais importante é alinhar o cronograma e os valores praticados pela escola com a realidade financeira da família, escolhendo o momento que faça mais sentido para evitar o endividamento”, diz Cristino.

Ele alerta ainda que o 13º salário não deve ser considerado automaticamente como dinheiro disponível para a educação. Compras de Natal, viagens, festas, impostos e outras despesas de fim e início de ano costumam disputar a mesma renda.

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Educação pode consumir até 30% da renda

Não existe um percentual único que determine quanto uma família pode gastar com a escola. Como parâmetro de planejamento, Cristino recomenda que o custo total da educação fique, em média, entre 25% e 30% da renda familiar.

A referência deve ser adaptada à realidade de cada casa. Isso porque despesas com moradia também podem consumir parcela semelhante do orçamento. Somadas, as duas categorias podem comprometer entre 50% e 60% da renda, deixando menos espaço para alimentação, saúde, transporte, lazer e formação de uma reserva de emergência.

“Mais importante do que seguir um percentual exato é estabelecer um orçamento familiar bem definido. A família precisa conhecer quanto pode destinar para cada grande categoria de despesa e, a partir disso, calcular o custo total da educação”, afirma.

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Quando o gasto educacional ultrapassa de forma recorrente a capacidade financeira da família, o risco é recorrer ao cartão de crédito ou a empréstimos para pagar despesas que se repetem todos os anos. Segundo Cristino, o cartão pode ajudar na organização quando a fatura cabe integralmente no orçamento. O problema surge quando o parcelamento é utilizado para financiar gastos recorrentes sem que haja renda suficiente para quitá-los. “Com juros elevados, o cartão acaba sendo um dos caminhos mais rápidos para ampliar o endividamento”, alerta.

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Reajustes

Outro custo que precisa ser levado em conta é o reajuste da mensalidade. Como as escolas podem revisar seus valores anualmente de acordo com a estrutura de despesas e os investimentos previstos, a família deve reservar uma margem para absorver o aumento no próximo período letivo. Cristino afirma que os reajustes observados no mercado frequentemente ficam entre 8% e 10%, embora os percentuais variem de acordo com cada instituição.

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Em uma mensalidade de R$ 1.000, uma alta de 8% elevaria a parcela para R$ 1.080. Com acréscimo de 10%, o valor passaria para R$ 1.100. Quando esse aumento não é previsto, ele pode comprometer outras metas financeiras da família durante o ano.

Em um cenário de elevada inadimplência, planejar a educação com antecedência deixa de ser apenas uma recomendação de organização doméstica. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Brasil reúne 81,6 milhões de famílias estão endividadas.

Nas escolas privadas do Brasil, a inadimplência chegou 19,62% ao final de 2025, segundo o Mapa da Inadimplência Escolar 2026 elaborado pela Sponte by TOTVS, com mais de 4 mil instituições de ensino em todo o país. Houve uma queda de 0,74 ponto percentual frente a 2024, quando a taxa estava em 20,36%, considerado o maior pico histórico.

Já nas universidades, conforme dados levantados pela Serasa no final de 2025, 35% dos universitários possuíam alguma dívida em aberto com a faculdade. Para 22% dos entrevistados, o desemprego é o principal motivo para o endividamento, seguido de problemas pessoais ou familiares (13%) e redução de renda (9%).

Infomoney

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